Dominado pela esquerda, eis que surge um bloco de direita pedindo anistia, justiça e liberdade no carnaval

A maioria dos blocos que desfilam pelas ladeiras íngremes de Belo Horizonte durante o carnaval, e eles somam mais de 600, transformando a cidade em um destino turístico desejado por brasileiros e estrangeiros, durante o mês de fevereiro, são compostos por militantes de esquerda, ou simpatizantes.
Isso não quer dizer que a festa popular e profana mais famosa do país seja só para esquerdistas alienados ou doutrinados, tem cidadãos de todas as matizes ideológicas e classes sociais, incluindo as operárias e as “opressoras” capitalistas, se divertindo. Tem até padre assanhado sem batina pulando que nem pipoca no carnaval da liberdade, afinal o Brasil é um país democrático, multirracial, multicultural e que respeita a diversidade. Pelo menos é isso que a propaganda programada tenta dizer.
Fato é que pouco importa a cor partidária e o time do coração, no carnaval, progressistas e conservadores se encontram para se esbaldar, esquecendo a polarização que tomou conta da política e das redes sociais. Vale ser atleticano vestido de Maria, cruzeirenses fantasiados de Galo e americanos vestido de arvore, vale tudo, vale até dançar homem com homem e mulher com mulher. Vale inclusive vestir de político e anunciar benefícios em troca de votos, isso vale para o ano todo.
Se a ordem é exaltar o “pão e o circo”, nada incorpora tão bem a máxima do Imperador Tito Lívio 39 d.C. – 81 d.C, sucessor de Vespasiano, 9 d.C. – 79 d,C, responsável pela conclusão do “Colossus”, ou simplesmente Coliseu de Roma, do que o carnaval. A plebe que aplaudia gladiadores sendo devorados por leões, hoje pula o carnaval, aplaude políticos ladrões e por alguns dias se abstrai da dura realidade que é viver em um país de mentiras como as contadas diariamente pela imprensa obediente, divulgadas pelo IBGE e pelos institutos de pesquisa.
Mas vamos ao que interessa que é o carnaval sendo usado para um apelo político e exercício de cidadania de um grupo de direita que desceu dos trios elétricos para protestar, vestindo verde e amarelo. O mesmo grupo de ativistas que por dezenas de vezes levou milhares de pessoas para a Praça da Liberdade em defesa de pautas conservadoras, incluindo a Liberdade e a Justiça, e que neste carnaval resolveu protestar e pedir ANISTIA para presos políticos do 8 de janeiro.
O Grupo intitulado “Bloco Anistia” vai se concentrar no domingo 15 de fevereiro, de 10h às 16h, na Praça Marília de Dirceu, bairro de Lourdes, Zona Sul de BH. O trajeto é de um quarteirão apenas, com encerramento em frente ao tradicional Ti-zé, bar do saudoso ex-prefeito de Belo Horizonte, falecido recentemente, Fuad Noman – socialista caviar, esquerdista de carteirinha.
O tema é a união dos conservadores para exigir justiça em um dos episódios mais caricatos e graves da história do Brasil: O “gorpe” de 8 de janeiro, que não teve tanque, nem arma e tampouco pé ou cabeça. Uma armação escandalosa, promovida por um ex-ministro da justiça que hoje ocupa cadeira no STF, e que resultou na prisão de um ex-presidente da República, (SENDO ASSASSINADO A CONTA GOTAS) e vários generais 4 estrelas, todos com longa ficha de serviços prestados em missões internacionais e conduta ilibada. Um verdadeiro escárnio.
As narrativas, bem assimiladas pela imprensa chapa branca automata, serviu para sustentar por um ano a farsa do “gorpe” que hoje não convence mais nem um colegial do ensino fundamental. O Brasil é o país do carnaval, do futebol, das contradições e da mentira oficializada. Nada mais original do que transformar a maior festa popular em palco de protestos políticos e mobilizações. Quem sabe o povo incauto acorda, sai da letargia e toma atitude à altura do poder que a Constituição lhe confere?
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
www.minasconexao.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945
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