Conheça o Guia Sobre Qualidade do Ar do Instituto Ar

A chegada do outono escancara um problema crônico que segue sem enfrentamento à altura no Brasil: a poluição do ar, responsável por quase 100 mil mortes no país apenas em 2024.
Em vez de ser tratada como prioridade de saúde pública, a questão avança de forma silenciosa, agravada por fatores sazonais e pela ausência de políticas eficazes.
Com a queda da umidade e a redução da circulação de ventos, típicas desta época do ano, poluentes se acumulam na atmosfera e ampliam os riscos à população. O reflexo é imediato na rede de saúde.
Em São Paulo, o Hospital do Coração (HCor) registra aumento de até 40% nos atendimentos por doenças respiratórias e cardiovasculares durante o outono e o inverno. Crianças e idosos são os mais afetados.

Mas o problema vai além dos grandes centros urbanos — e revela uma dinâmica ainda mais preocupante. A estiagem favorece queimadas e incêndios florestais, que elevam drasticamente os níveis de poluição em regiões distantes dos polos industriais.
Em 2024, a região Norte chegou a registrar índices de poluição superiores aos do Sudeste, impulsionados pela fumaça de incêndios, segundo dados do MapBiomas Atmosfera.
Esse cenário evidencia uma falha estrutural: as mesmas atividades que alimentam a economia — como transporte baseado em combustíveis fósseis, geração de energia poluente e práticas agrícolas com uso do fogo — são também responsáveis por um ciclo de degradação ambiental e adoecimento da população.
Além de provocar doenças, essas fontes intensificam as mudanças climáticas, criando um efeito dominó. Eventos extremos, cada vez mais frequentes, já cobram seu preço em vidas. Apenas nos primeiros meses deste ano, chuvas intensas causaram ao menos 21 mortes em São Paulo e mais de 90 em Minas Gerais.
Especialistas alertam que a dificuldade em comunicar o problema contribui para sua invisibilidade. A poluição do ar não é facilmente percebida a olho nu e envolve processos complexos, o que dificulta sua compreensão e reduz a pressão por soluções.
“A falta de informação acessível é um dos entraves para o enfrentamento do problema”, afirma a diretora do Instituto Ar, dra. Evangelina Araújo. “Sem comunicação clara, não há mobilização social nem avanço consistente em políticas públicas.”
Na tentativa de reduzir esse gap, o Instituto Ar lançou um guia voltado a comunicadores, educadores e profissionais da saúde. A proposta é traduzir o conhecimento científico e tornar o debate mais compreensível para a sociedade.
Um inimigo invisível
A poluição do ar é formada por gases e partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente no organismo. Entre elas, o chamado material particulado é considerado um dos mais perigosos. Invisível a olho nu, ele consegue atingir os pulmões e até a corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças graves.
A principal origem desses poluentes está em atividades humanas: veículos movidos a combustíveis fósseis, indústrias, geração de energia, queimadas e até a gestão inadequada de resíduos.
Falta de prioridade
Apesar dos números alarmantes, o tema ainda ocupa espaço limitado no debate público. Para especialistas, isso reflete a dificuldade de transformar dados técnicos em informação acessível — e, principalmente, em pressão política.

O novo guia “Comunicação de Qualidade (do Ar)” surge justamente com esse objetivo:
Qualificar o debate e reduzir a desinformação. O material reúne conceitos, explicações e orientações práticas para quem precisa comunicar um tema que envolve saúde, meio ambiente e políticas públicas.
Mais do que informar, a iniciativa busca provocar mudança. Ao ampliar o entendimento da população, cresce também a cobrança por medidas concretas — como políticas de controle de emissões, transição energética e combate efetivo às queimadas.
Uma conta que não fecha
O avanço da poluição do ar revela uma contradição cada vez mais evidente: o modelo de desenvolvimento que sustenta a economia é o mesmo que adoece a população e pressiona o sistema de saúde.
Sem enfrentamento estrutural, o país segue preso a um ciclo previsível — e perigoso. A cada outono, os números sobem, os hospitais lotam e o problema volta ao radar. Até desaparecer novamente, como o ar poluído que, apesar de invisível, continua a matar.
O que é o guia de qualidade do ar?
O guia “Comunicação de Qualidade (do Ar): um guia sobre poluição atmosférica e mudanças climáticas para comunicadores”, elaborado pelo Instituto Ar, com o apoio do Instituto Itaúsa, reúne conceitos, definições e recomendações para a comunicação correta e eficiente sobre um problema que envolve ciência, saúde pública, meio ambiente e políticas públicas.
A iniciativa parte da premissa de que informação de qualidade é fundamental para promover transformação social. Ao tornar conceitos científicos mais acessíveis e oferecer referências para profissionais da comunicação, o guia busca ampliar a compreensão pública sobre a poluição do ar e estimular a mobilização em torno de soluções que levem a cidades mais saudáveis e a um ambiente mais equilibrado.
O guia reúne fundamentos científicos, conceitos básicos e referências que podem orientar a cobertura jornalística e a produção de conteúdos sobre o assunto.
Entre os objetivos do documento estão: facilitar a compreensão sobre o que é poluição atmosférica e como ela se forma; explicar sua relação com as mudanças climáticas; esclarecer conceitos técnicos frequentemente utilizados no debate público; contribuir para evitar desinformação ou interpretações equivocadas; incentivar uma comunicação mais clara, baseada em evidências científicas.
Sobre o Instituto Ar

O Instituto Ar é uma organização sem fins lucrativos dedicada à proteção da saúde humana por meio do enfrentamento das mudanças climáticas e da poluição atmosférica. A instituição atua na produção e disseminação de conhecimento científico, na qualificação do debate público e na promoção de políticas que contribuam para a melhoria da qualidade do ar.
Veja o guia completo aqui: Guia Sobre Qualidade do Ar | Instituto Ar: https://guias.institutoar.org.br/
Foto de Capa: Evangelina Araújo – Instituto Ar
A matéria é do articulista e economista Fernando de Almeida, filiado a Abrajet-MG e a Ajoia Brasil.
A provocação é da Jornalista Ana Victória Gouveia – AViV Comunicação de Belém – PA.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945
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