MINAS CONEXÃO | A conta da arrogância chegou, será paga pelos brasileiros e nem isso faz a imprensa militante endireitar

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A conta da arrogância chegou, será paga pelos brasileiros e nem isso faz a imprensa militante endireitar

O papel do jornalismo não é blindar governos nem servir como departamento de RP do poder. O compromisso da imprensa é com os fatos, com o interesse público e com a verdade, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto

Foto: Criada por IA

Por: José Aparecido Ribeiro – Jornalista e presidente da AJOIA Brasil.*

As declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, não podem ser tratadas como um ruído diplomático, uma provocação passageira ou mais um episódio da permanente guerra de versões que domina a política brasileira.

Elas constituem uma acusação oficial, direta e devastadora contra a condução da política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Uma tragédia anunciada e de desdobramentos imprevisíveis.

Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou de boa-fé e responsabilizou o presidente da República pela imposição de tarifas de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.

De acordo com o chefe da diplomacia norte-americana, Lula colocou o próprio ego acima dos interesses dos brasileiros. Você tem motivos para duvidar de Marco Rubio? A acusação é gravíssima. Mais grave ainda seria fingir que ela não existe.

Não estamos diante da opinião de um influenciador, de um adversário partidário brasileiro ou de um comentarista interessado em produzir repercussão nas redes sociais. Estamos diante de uma manifestação do secretário de Estado dos Estados Unidos, integrante do primeiro escalão do governo responsável pela maior economia do mundo e por um dos mercados mais importantes para as exportações brasileiras.

É evidente que Marco Rubio representa os interesses de seu país e que suas palavras devem ser submetidas à apuração jornalística e ao confronto com os documentos disponíveis. Mas também é evidente que o governo brasileiro não pode responder a uma acusação dessa dimensão apenas com discursos nacionalistas, teorias conspiratórias, bravatas e ameaças de retaliação.

Quem governa tem a obrigação de apresentar fatos. Ainda que o governante tenha uma ficha corrida, ou “capivara” que não lhe dê muita moral para discutir com o chefe da diplomacia dos Estados Unidos da América. Pergunto, você confia nas palavras de Marco Rubio ou na retórica de Lula da Silva?

O Palácio do Planalto precisa dizer, com datas, atas, propostas, contrapropostas e registros oficiais, o que efetivamente fez para evitar a sobretaxa. Quais concessões foram discutidas? Quantas reuniões ocorreram? Que alternativas foram apresentadas? Em que momento as negociações fracassaram? Houve oportunidade real de acordo? Quem recusou? E por quê?

Enquanto essas respostas não forem oferecidas com transparência, permanecerá sobre o governo brasileiro a suspeita legítima de que a diplomacia foi sacrificada em nome da ideologia, da vaidade política e da necessidade de produzir discursos para sua própria militância. Não podemos admitir a possibilidade de malandragens, como as que acontecem aqui e que já não surpreendem. Lá, isso não existe.

Diplomacia não é palanque. Relações exteriores não são um espetáculo para alimentar torcidas. Um presidente responsável mede cada palavra porque sabe que uma frase impensada pode custar contratos, mercados, investimentos e empregos.

O problema é que a conta da irresponsabilidade, das bravatas e insinuações, não chega ao gabinete presidencial. Ela chega à fábrica que perde encomendas, ao produtor rural que vê seu mercado ameaçado, ao empresário que suspende investimentos e ao trabalhador que teme receber uma carta de demissão. Quando um governante transforma relações internacionais em instrumento de proselitismo ideológico, é o povo que paga. E paga caro.

O governo Lula passou anos provocando, ironizando e hostilizando lideranças de países com os quais o Brasil deveria manter uma relação pragmática. Confundiu independência diplomática com confronto permanente. Confundiu soberania com retórica. Confundiu política externa com militância partidária. Provocou, insinuou, zombou, fez chacotas e por muitas vezes desrespeitou Donald Trump.

Agora, diante de uma penalidade comercial concreta, tenta apresentar-se como vítima absoluta de uma agressão estrangeira. Essa narrativa pode convencer os convertidos, mas não responde à pergunta central: o governo brasileiro fez tudo o que estava ao seu alcance para impedir que empresas e trabalhadores fossem atingidos? NÃO.

Com efeito, não basta declarar que a medida norte-americana é injusta. Não basta atacar adversários internos. Não basta invocar soberania enquanto os setores produtivos calculam prejuízos. Governar é produzir resultados, e o resultado apresentado até aqui é uma das mais graves deteriorações comerciais entre Brasil e Estados Unidos de todos os tempos. Lula confundiu o governo americano com os adversários internos.

Também é inaceitável assistir a setores da imprensa agindo como escudo do Palácio do Planalto. Jornalista não existe para proteger presidente, ministro ou partido. Jornalismo não é serviço de maquiagem institucional. Não cabe à imprensa esconder o fracasso, amenizar declarações oficiais ou selecionar fatos para preservar a imagem de quem governa e alimenta o departamento comercial da empresa.

Quando profissionais abandonam a fiscalização do poder para defender o poder, deixam de exercer jornalismo e passam a atuar como militantes credenciados.

Como jornalista e presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes – AJOIA Brasil, manifesto meu mais veemente repúdio às tentativas de minimizar esse episódio. A sociedade tem o direito de conhecer a dimensão da crise, as acusações feitas pelo governo norte-americano e, principalmente, as falhas escandalosas cometidas pelas autoridades brasileiras. Em especial as que foram protagonizada por Lula da Silva.

A verdade não pertence a Marco Rubio, a Lula, à direita ou à esquerda. A verdade deve surgir dos fatos, dos documentos e das consequências verificáveis. E ao que tudo indica, Rubio tem a verdade do seu lado, diferentemente do mandatário e da diplomacia brasileira, acostumada com narrativas repetidas por jornalistas obedientes.

Mas uma responsabilidade não pode ser escondida, nem tampouco negligenciada: quem ocupa a Presidência da República tem o dever de proteger os interesses nacionais. Se a estratégia adotada produziu isolamento, perda de mercados, insegurança para os investidores e ameaça aos empregos, alguém precisa responder por isso.

O Brasil não pode aceitar que uma catástrofe diplomática seja arquivada como simples divergência política. É necessário apurar responsabilidades, convocar autoridades, exigir explicações do Ministério das Relações Exteriores e tornar públicos todos os registros das negociações. Mais uma vez pergunto: você confia na palavra de Marco Rubio ou de Lula da Silva?

Banqueiros, industriais, produtores rurais, comerciantes, trabalhadores, profissionais liberais, servidores públicos e representantes políticos não podem permanecer indiferentes. O prejuízo não pertence a um partido; pertence ao país, a inocentes que são vítimas do oportunismo e do populismo perverso que nos condena a servidão interna.

Chegou a hora de abandonar as desculpas. De ser honesto pelo menos uma vez na vida. Se houve negligência, que seja demonstrada. Se houve inabilidade, que seja reconhecida. Se houve oportunidade de acordo desperdiçada por arrogância, cálculo eleitoral ou sectarismo ideológico, os responsáveis devem ser identificados e responsabilizados politicamente.

O Brasil não é propriedade de um presidente nem laboratório de uma ideologia. Nenhum governante tem o direito de colocar sua vaidade acima dos empregos, das empresas e do futuro de milhões de brasileiros. E nenhuma imprensa digna desse nome tem o direito de esconder da população a gravidade do que está acontecendo. A conta chegou.

E, mais uma vez, não será paga por aqueles que provocaram a crise, mas pelo povo brasileiro.

*José Aparecido Ribeiro é jornalista, editor, presidente da Ajoia Brasil e do Conselho da Abrajet-MG
www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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