MINAS CONEXÃO | A quem interessa a pressa na apuração eleitoral?

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A quem interessa a pressa na apuração eleitoral?

Kássio Nunes Marques entende de TI, até onde sei, o mesmo que eu entendo de física quântica: nada!

Foto: Site da Oracle nos EUA

Por José Aparecido Ribeiro*

A democracia não deve ser medida pelo cronômetro. Conhecer o resultado de uma eleição em poucas horas pode ser uma vantagem, mas jamais deve se transformar em prioridade acima da segurança, da fiscalização e da capacidade de explicar, com evidências, cada etapa do processo. O cidadão precisa de um resultado verificável e acima de tudo, confiável.

A quem interessa fazer da velocidade o principal troféu do sistema eleitoral? Ao eleitor, a divulgação rápida interessa quando vem acompanhada de lisura demonstrável. À Justiça Eleitoral, cabe assegurar que a busca por eficiência permaneça subordinada à integridade do voto e a confiança da população, pois a autoridade máxima da democracia é o povo.

Nenhuma conveniência institucional ou expectativa de audiência justifica encurtar uma verificação necessária. O episódio de 4 de outubro de 2026 exige explicações precisas. Segundo o TSE, houve atraso na divulgação, causado por congestionamento e dificuldade na conversão dos dados pelo programa responsável por apresentá-los, como se houvesse algum fluxo novo. Tudo que ocorreu no último dia 4 de outubro, não é novidade.

O TSE afirmou que a totalização não foi afetada. Com efeito, uma falha na exibição dos números não equivale, por si, a uma alteração dos votos. Ainda assim, a explicação pública deve vir acompanhada de registros e de um relatório técnico que permita examiná-la, compreensível para todos, e não apenas para quem é do ramo de TI. O brasileiro não aguenta mais dúvidas sobre possibilidade de fraude, é enganado diuturnamente.

Perguntas que esperam por respostas: Qual foi a duração do incidente? Quais componentes falharam? Quais verificações sustentam a conclusão de que a totalização permaneceu íntegra? Que medidas foram tomadas para evitar a repetição? A autoridade de quem responde, o ministro Kássio Nunes Marques, não dispensa a apresentação das evidências.

Lembro ainda que a documentação publicada pelo TSE sobre a contratação da Oracle, empresa responsável pelo processamento dos votos em 2020, descreve equipamentos físicos instalados nas dependências do TSE, no Brasil. É isso mesmo? A sociedade tem direito de conhecer a arquitetura atual, os contratos e os limites de acesso dos fornecedores.

Isso por que existe histórico empresarial da Oracle que merece escrutínio igualmente rigoroso. Explico: em 2022, a empresa celebrou um acordo de mais de US$ 23 milhões com a autoridade reguladora americana, a SEC, por condenação relacionada a suborno envolvendo subsidiárias na Turquia, nos Emirados Árabes Unidos e na Índia. A empresa esteve envolvida em falcatruas em contratos comerciais nestes países.

Há ainda uma questão de responsabilidade que precisa ser repetida: Presidentes de tribunais dependem de equipes especializadas para avaliar sistemas complexos. Isso é normal, mas não transforma a confiança pessoal em certificação técnica. Kássio Nunes Marques entende de TI, até onde sei, o mesmo que eu entendo de física quântica: nada.

Os mecanismos existentes também precisam entrar no debate. Os boletins de urna registram os resultados das seções e permitem sua comparação com os dados totalizados. É justo cobrar que essa fiscalização seja acessível, documentada e exercida por diferentes entidades. Reconhecer instrumentos de auditoria torna a cobrança por seu funcionamento mais concreta e confiável.

Não há razão para defender uma espera artificial de dois ou três dias se as verificações necessárias estiverem concluídas antes, no mesmo dia. Tampouco seria aceitável sacrificar uma checagem indispensável para anunciar um vencedor ainda no domingo. O que é mais importante, o tempo ou a integridade da apuração?

Minha cobrança é objetiva: divulgar resultados tão cedo quanto for possível demonstrar sua integridade, com critérios conhecidos previamente e transparência diante de incidentes. O problema começa quando a rapidez é apresentada como prova suficiente de excelência.

O eleitor pode esperar por uma conferência necessária. O que não deve aceitar é que lhe peçam confiança sem oferecer condições de verificar. A legitimidade de uma eleição depende da fidelidade à vontade popular, e claro, da possibilidade de demonstrá-la.

*José Aparecido Ribeiro é jornalista

Presidente da Ajoia Brasil

Editor do Portal Minas Conexão

www.minasconexao.com.br

www.ajoiabrasil.com.br

31-99953-7945

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