MINAS CONEXÃO | Briga com faca e navalha – Parte I - Uma radiografia da Direita Tupiniquim

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Briga com faca e navalha – Parte I – Uma radiografia da Direita Tupiniquim

A gulodice dos políticos da Direita brasileira

Figura: Reprodução – O Avarento

Por: Mário Plaka*

“A olhos vistos, e não é de agora, os conservadores perfumadinhos deixam seu rastro no ar. Mestres no ilusionismo sensacionalista que dá vida às polêmicas, acabam escorregando na baba que deixam cair pelo caminho.

Essa percepção, no lado direito do muro, pode ser medida tanto no âmbito político, quanto no campo jornalístico, e nas diversas frentes do poder e da comunicação. Seus reflexos tendem a minar suas bases e fortalecer o adversário. Só a intervenção dos lúcidos é capaz de travar o avanço desse confronto suicida, e para o bem geral da nação (literalmente), estes lúcidos existem.

Para comprovar, e prefiro não citar nomes para não fomentar ainda mais esse enfrentamento com cor de burro fugido e cheiro de cocô, basta olhar pelo retrovisor do tempo e ver quem mostrava pouca simpatia à Direita patriota e crescente, lá em 2019, 2020… e que viraram, da noite para o dia, a voz combatente do conservadorismo nato. É como se saíssem da área de lazer e prazer direto para igreja, mas devidamente trajado para a missa.

Refiro-me, e deixo claro aqui, que todos os personagens desta visão pessoal são do espectro da Direita. As diferenças é que começam a submergir, antes da hora.  Agora vamos cortar para os dias de hoje. Período pré-eleitoral, as animosidades de objetivos políticos divergentes, com a polarização em efervescência, e alguns membros da Direita “pompom” começam a perder a margem do bom senso, colocam a cara onde não devem, interferindo, assim, numa corrida eleitoral que parecia, ou deveria, rumar em linha reta.

Criam fístulas desnecessárias ao trajeto

A partir daqui, passo a dar nome a alguns bois, incluindo os representantes do famigerado Centrão. São figuras que tem as rédeas econômicas, hierarquia superior e ascendência forte sobre a taba. Alguém consegue entender as manobras que caciques de partidos promovem? Para começar, a coerência é zero! Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira (PP), Marcos Pereira (Republicanos), Renata Abreu (Podemos), Antônio de Rueda (União Brasil), presidentes dos principais partidos políticos, tomam atitudes de assustar qualquer sacristão bem-intencionado.

Para eleger o mandatário maior do país, resgatando o Brasil das mãos malignas e perversas da esquerda, tudo parecia caminhar para uma pacífica união da Direita, com a providencial indicação de Flávio Bolsonaro pelo maior líder conservador do país, Jair Bolsonaro, mas que uma ala insiste em aplicar uma expressão famosa: Foda-se! Um partido que subiu num tijolinho de 20 centímetros, o Novo, quer liderar essa ala, com aliados de primeira hora, com nomes como o de Romeu Zema (Novo/MG), Ronaldo Caiado (PSD/GO), Ratinho (PSD/PR) e o recém-chegado ao grupo, o perigosíssimo Eduardo leite (PSD/RS).

Até Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP), que perambulou no meio, depois bateu o martelo como candidato à reeleição ao governo de SP e apoiou Flávio Bolsonaro, enterrando as pretensões da tchurma. A temperatura e os ânimos foram lá para baixo. Nesse balaio de gatos tem os que se apresentam como bolsonaristas, os aventureiros e os oportunistas de plantão, e restou a eles “trabalhar” nos estados, no intuito de influenciar, assim, na chapa presidencial.

E aí a faca duela com a navalha com direito a faíscas. Estados como os de Santa Catarina e Minas Gerais, por exemplo, antagônicos no quesito candidaturas naturais, podem ter problemas que podem alcançar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O ruim para eles é que tudo indica que quanto mais mexem na chapa premium, pior fica.

Em Santa Catarina a natureza é linda. Jorginho Melo vai partir para a reeleição ao governo do estado, e nada mais natural e aceitável para o estado mais conservador do país. E pela mesma natureza de tendência, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni são os dois nomes para as duas vagas do Senado Federal. Aí vem um tal de Valdemar Costa Neto e vem bagunçar o coreto, tentando emplacar a reeleição do Esperidião Amin (PP).

Em Minas Gerais, a história é outra, completamente diferente. E não é briga de faca com foice. É bem do jeito mineirinho de ser, comendo pelas beiradas, de vez em quando uma mordiscada aqui, outra ali, e nada de definições. Estado acostumado a ocupar a cadeira presidencial, com oito presidentes da república, sendo quatro deles na era da República do Café com Leite (não confundir com o teatro das tesouras – PT/PSDB), onde se revezaram na presidência, MG e SP durante um período.

Ninguém se entende com ninguém até aqui; e os nomes para o governo e senado flutuam nos bastidores e na imprensa. Romeu Zema (Novo), Mateus Simões (PSD), Cleitinho (Republicanos), Nikolas Ferreira (PL), Carlos Viana (Podemos) e Tadeu Leite são alguns dos mais visados, sem, no entanto, pretensões de cargo definidas. Não há palanque estabelecido, no entanto as “puxadas de tapete” são frequentes entre eles. O que se espera é que a direita balance, mas não caia.

Esses dois cenários retratam essa peleja interna na direita, e facilitam a identificação da disputa em outros estados. No Paraná, onde há três nomes de peso – Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Cristina Graeml (União) –  a pré-candidatura de Graeml é a única orgânica, em crescimento e muito bem cotada no estado para ocupar uma das duas cadeiras do senado, o que incomoda muita gente. Não diferente de vários outros estados, ingerências internas e externas são cada vez mais flagrantes.

Este prisma das disputas e trocas de farpas dentro de um nicho de interesses e vaidades, causam um outro prejuízo ainda mais grave. Ocupados e preocupados com posicionamentos que dispensam tais disputais, jogam energia fora. Estados do Nordeste e do norte são reconhecidamente dominados pela esquerda, e alvo fácil para aplicação de artimanhas de cooptação intelectual e econômica. Bahia e Amapá, por exemplo, são altamente vulneráveis e suscetíveis ao engajamento dos discursos populistas.

Figuras públicas da direita na região sempre estão à margem do processo eleitoral, abandonados pelo legado conservador que se acomoda em centros mais atrativos para suas ambições, mormente localizados no Sul e no Sudeste do país. Essa legião de mandatários não tem a ousadia necessária para desbravar o território dominado pelos inimigos. Açoitados pelos limites impostos pelos “donos do curral”, resta aos bravos da resistência conservadora local a dignidade para continuar uma luta quase inglória.

Enquanto isso, matérias jornalísticas abordam o tema, sem piedade. Tretas na direita são cada vez mais frequentes nas páginas da imprensa e nas redes sociais. A situação dos “algozes do bem” envolve gente graúda e com repercussão nacional (repito, envolve, e não promove tretas, o que é muito diferente); como o próprio pré-candidato Flávio Bolsonaro e seus irmãos Carlos e Eduardo; além de Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Valdemar Costa Neto, Silas Malafaia, entre outros.”

Na parte II, o Nordeste é um capítulo à parte. Continua… Amanhã. Não perca!

(*) Mário Plaka, colunista do Carta de Notícias, é sócio-fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados – AJOIA Brasil

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor

www.minasconexao.com.brwww.ajoaiabrasil.com.brjaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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