Mantido pela FIEMG, unidade em Lagoa Santa é maior laboratório-fábrica de ímãs de terras raras do Hemisfério Sul

Minas Gerais dá mais um passo para ocupar posição estratégica na cadeia brasileira de terras raras, minerais considerados essenciais para setores como energia renovável, mobilidade elétrica, eletrônica e indústria de alta tecnologia. A Viridis entregou ao Instituto de Terras Raras do Centro de Inovação e Tecnologia do SENAI de Minas Gerais (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa, um primeiro lote de 5 quilos de carbonato misto de terras raras (MREC) produzido em Poços de Caldas, no Sul do estado.
A entrega, realizada na quarta-feira (26), ganha relevância por colocar em circulação uma matéria-prima de origem nacional, extraída e processada em Minas Gerais. O material foi produzido no Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), instalado pela Viridis no Distrito Industrial de Poços de Caldas.
O lote seguirá agora para o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), no Rio de Janeiro, onde será submetido à separação dos óxidos de terras raras. Na sequência, será encaminhado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, para a produção da liga metálica. Depois desse percurso, o material retornará a Minas Gerais para testes no CIT SENAI ITR, em Lagoa Santa, considerado o maior laboratório-fábrica de ímãs de terras raras do Hemisfério Sul.
Minas no mapa dos minerais estratégicos
O avanço ocorre em um momento em que as terras raras ganham crescente importância econômica e geopolítica. Esses elementos são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho utilizados, entre outras aplicações, em motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos tecnológicos.
Desde o início de suas atividades, o CPTR da Viridis se consolidou como uma das maiores plantas-piloto do gênero fora da China. A estrutura possui capacidade para processar 100 quilos de minério por hora e produzir até 2.920 quilos de carbonato misto por ano.
A planta também desempenha papel estratégico no desenvolvimento do Projeto Colossus, atualmente em processo de licenciamento ambiental e com previsão de início da operação comercial em 2028.
A entrega ao SENAI reforça ainda o esforço para que o Brasil deixe de atuar apenas como fornecedor de recursos minerais e avance nas etapas de processamento, desenvolvimento tecnológico e fabricação de produtos de maior valor agregado.
Da mineração ao ímã produzido no Brasil
Mantido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o CIT SENAI ITR tornou-se uma referência nacional em pesquisa e inovação para a cadeia de terras raras. A unidade participa do Projeto MagBras, iniciativa aprovada no Programa Mover que reúne mineradoras, startups e indústrias em torno do desenvolvimento de uma cadeia nacional e sustentável para a fabricação de ímãs de Neodímio, Ferro e Boro (NdFeB).
Não é a primeira vez que a parceria resulta no fornecimento de material ao instituto. Em maio de 2025, a Viridion, joint venture entre a Viridis e a Ionic Technologies, entregou um lote pioneiro de óxidos de terras raras obtidos por meio da reciclagem de ímãs permanentes em fim de vida útil.
Desta vez, entretanto, há um componente simbólico e estratégico adicional: o material entregue foi extraído e processado no próprio território mineiro, ampliando as perspectivas para a construção de uma cadeia produtiva que contemple desde a mineração até a fabricação e reciclagem dos ímãs.
“É uma sensação de orgulho para Minas Gerais ver o Projeto Colossus já produzindo, em escala piloto, o carbonato misto de terras raras. Essa entrega faz parte do Projeto MagBras, voltado à obtenção de conhecimento e tecnologia, sendo um marco muito importante, porque estamos consolidando uma matéria-prima genuinamente nacional”, afirma José Luciano de Assis Pereira, gerente-geral de Inovação e Tecnologia do SENAI.
Para José Marques Braga Junior, diretor-executivo da Viridis, a nova etapa demonstra a evolução da parceria. “Essa entrega marca um novo capítulo da nossa parceria com o CIT SENAI ITR. Depois de contribuirmos com os primeiros óxidos reciclados por meio da Viridion, agora entregamos um material que nasce em solo brasileiro, como prova de que estamos avançando de forma consistente rumo a uma cadeia de terras raras, da extração à fabricação e reciclagem dos ímãs”, encerra.
Com reservas minerais, capacidade industrial e centros de pesquisa e inovação, Minas Gerais busca, assim, ampliar sua participação em um mercado considerado decisivo para as novas tecnologias e para a transição energética mundial.

A reportagem é do articulista e economista Fernando de Almeida – Escreve todas as semanas na Coluna Economia, Turismo e Finanças. Fernando é filiado da Abrajet-MG e a AJOIA Brasil
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Membro do Observatório da Mobilidade. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
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