Cerimônia reuniu autoridades militares, professores e associados do IHGMG neste sábado (17), destacando os vínculos históricos entre Minas Gerais e a Força Naval

O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) realizou, na manhã deste sábado, 17 de outubro de 2026, uma solenidade em homenagem ao centenário da presença institucional da Marinha do Brasil no estado.
O encontro reuniu autoridades militares, professores, acadêmicos e consócios do Instituto para celebrar uma trajetória que tem o vasto território de mineiro, estado mediterrâneo, mas conhecido como a “caixa d’água” do Brasil, face o seu grande potencial hídrico estratégico e abundante.
Presidido pelo professor e advogado Antônio Marcos Nohmi, presidente do IHGMG, a cerimônia contou com a presença do brigadeiro do ar Jorge Marcelo Martins da Silva, militar de maior precedência hierárquica presente; do capitão de mar e guerra Alessandro de Paula Lima, comandante da Capitania Fluvial de Minas Gerais; do desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Marcos Henrique Caldeira Brant, do professor Paulo Roberto Cardoso, presidente da Sociedade dos Amigos da Marinha em Belo Horizonte (Soamar-BH).

Também participaram o capitão de mar e guerra Silvio Aderne Neto, assessor de Relações Institucionais da Marinha em Minas Gerais e associado efetivo do Instituto, que vem se dedicando à pesquisa das conexões entre o estado e a instituição naval desde os primórdios da Marinha na primeira Regência de Dom Pedro I.
Na mesa, o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, o decano e ex-presidente do IHG, José Carlos Serufo, a Secretária Geral do IHG Maria Inêz de Moraes Marreco, entre outras autoridade presentes, incluindo o associado Arthur Bambirra, Osorio Couto e JD Vidal. Presentes o presidente da Abrasel Nacional, Paulo Solmucci, o presidente da Abrajet-MG, Antonio Claret Guerra e Suely Calais Guerra.
O CMG – Alessandro de Paula Lima recebeu a homenagem em nome da Marinha do Brasil e dos militares que integram a Capitania Fluvial de Minas Gerais, instalada em Belo Horizonte em dezembro de 2018, primeiro na Av. Raja Gabaglia e posteriormente no bairro Belvedere, onde concentra suas operações atualmente.

A solenidade reconheceu a contribuição da instituição ao estado e a importância de preservar a memória dos homens e mulheres que construíram essa presença ao longo de um século. Embora Minas Gerais não tenha litoral, seus rios e represas ajudam a explicar a atuação da Marinha em território mineiro. A segurança da navegação e a fiscalização do tráfego aquaviário fazem parte de uma missão que alcança também as águas interiores.
O marco do centenário remonta a 11 de dezembro de 1926, com a criação da Capitania dos Portos de Minas Gerais em Pirapora, no Norte do estado. Às margens do São Francisco, conhecido como Rio da Integração Nacional, a cidade ocupava posição estratégica para a navegação e a circulação de pessoas e mercadorias.
A homenagem deste sábado integra, portanto, as celebrações dos cem anos que serão completados em dezembro. Um capítulo mais recente dessa trajetória foi a instalação da Capitania Fluvial de Minas Gerais em Belo Horizonte, em dezembro de 2018, ampliando a presença institucional da Força Naval na capital mineira. Outras solenidades estão marcadas para comemoração do centenário, incluindo um jantar de gala no Automóvel Clube no final de outubro.
Livro vai resgatar as ligações entre Minas e a Marinha

Um dos destaques da programação foi a apresentação do CMG – Silvio Aderne Neto, que antecipou aspectos de um livro sobre as relações entre Minas Gerais e a Marinha do Brasil, com lançamento previsto para novembro deste ano.
A exposição abordou as razões históricas, geográficas e estratégicas da presença naval em um estado sem saída para o mar. Também destacou a participação de mineiros na condução da instituição: conforme apresentado durante a solenidade, vários deles, naturais de Minas Gerais ocuparam o comando da Marinha ao longo de sua história.
O dado evidencia uma ligação que ultrapassa a atuação nas águas do São Francisco, onde tudo começou. Ela envolve a contribuição de mineiros à liderança naval e à construção de uma instituição de alcance nacional.
Ao reunir representantes das Forças Armadas, da comunidade acadêmica e da sociedade civil, o IHGMG deu visibilidade a essa história. A homenagem registrou o reconhecimento aos marinheiros que servem em Minas Gerais e reafirmou o papel do Instituto na preservação e divulgação de um patrimônio histórico compartilhado pelo estado e pelo Brasil.

- O responsável pela discurso de homenagem à Marinha foi o Desembargador Marcos Henrique Caldeira Brant, do TJMG que é associado e ocupa a cadeira do Barão de Barbacena, importante figura na história da Marinha do Brasil. Segue trechos do discurso que valem a pena:
“É com elevada honra e particular satisfação que, em nome deste instituto, dessa Casa de Cultura, guardiã da história mineira, dirijo essa saudação oficial e estatutária à Marinha do Brasil, por ocasião das comemorações do centenário de sua presença institucional em nosso estado. À primeira vista pode parecer curioso, e muito curioso, que Minas Gerais, estado mediterrâneo, terra de montanhas e vales sem um único quilômetro de litoral, mantenha vínculos profundos com uma instituição cuja história se confunde com a própria história marítima do Brasil. Mas basta conhecer um pouco de nossa geografia, de nossa economia, de nossas riquezas minerais e, sobretudo, de nossa longa e profunda rica história, para compreender que Minas Gerais não tem mar, mas tem muito da Marinha. Afinal, Minas é conhecida como potencial arquipélago do Brasil. Aqui nascem os rios que alimentam algumas das principais bacias hidrográficas nacionais, entre elas o São Francisco, ah, o nosso querido velho Chico, que nasce na Serra da Canastra e percorre milhares de quilômetros unindo regiões, estados, aproximando populações e transportando riquezas. O caudaloso rio da integração e da unidade nacional. E foi justamente às margens desse rio, na cidade de Pirapora, em 11 de dezembro de 1926, o decreto do presidente da República, presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, o mineiro de Viçosa, Arthur Bernardes, conhecido como o Jequitibá, foi criada a Capitania dos Portos de Minas Gerais. Ali, naquela pequena cidade interiorana do norte mineiro, teve início uma trajetória institucional que ao longo de um século acompanhou as transformações do estado e as novas exigências da navegação no interior. Mais recentemente, em 2018, a criação da Capitania Fluvial de Minas Gerais, sediada na capital de Belo Horizonte, representou um importante avanço de consolidação da presença da Marinha em nosso território, ligada ao primeiro distrito naval. Hoje, a atuação institucional da Marinha alcança rios, lagos, represas e reservatórios, contribuindo para a segurança da navegação comercial e recreativa e a prevenção da poluição hídrica, a formação de aquaviários e a atividade da salvaguarda da vida humana. Como note importante, recordar que há um capítulo anterior dessa presença física da Marinha institucional. Entre 1913, vejam bem, entre 1913 a 1920, funcionou em Buritizeiro, às margens do São Francisco, em frente à cidade de Pirapora, a escola de aprendizes de marinheiros, dedicada à formação de jovens para o serviço naval. Ainda existe esse conjunto arquitetônico, hoje reconhecido como patrimônio cultural de Minas Gerais. Também aqui me recordo, recentemente numa pesquisa, de que em 1925, aqui na capital, por ocasião das comemorações de 21 de abril, que era amplamente comemorado, veio um grande contingente da Marinha aqui para a capital desfilar. Era de 600 homens, eram marinheiros dos cruzadores São Paulo e Minas Gerais, de São Paulo e Minas Gerais, e um regimento de fuzileiros navais. Desfilaram aqui em desfile, pela primeira vez em caráter institucional, desfilando garbadamente aí na nossa principal via, Avenida Afonso Pena. Mas a ligação entre Minas Gerais e a Marinha do Brasil é de fato muito mais antiga do que esses 100 anos, pois ela remonta aos primeiros momentos de nossa independência, como bem será historiado e demonstrado a seguir na palestra a ser proferida pelo consócio e marinheiro Silvio Aderne. Eu tenho a honra aqui, senhoras e senhores, de ocupar nessa casa de cultura a cadeira número 59, cujo patrono é o Marquês de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant, mineiro de Mariana e vem a ser meu primo segundo, trisavô, décimo grau de parentesco. Como sabem, o Marquês de Barbacena, além de destacado estadista e diplomata do Império, teve formação naval, iniciou a carreira como guarda-marinho, formação naval em Lisboa, em Porto. E desempenhou, ele desempenhou um papel fundamental na organização da primeira esquadra brasileira, do Brasil independente. Foi ele quem em Londres participou das articulações para compras de navios de guerra e contratação de oficiais de marinha estrangeiros, mercenários, destinados à nascente Armada Imperial. Inclusive sugeriu o nome do célebre almirante Grace, Lord Thomas Cochrane, para comandá-la cuja contribuição ajudou a consolidar a independência e a preservar a unidade do território do Brasil. Mas que fique claro, o Marquês de Barbacena não foi o único mineiro, o único mineiro de destaque a deixar sua marca na história naval brasileira. Também merecem ser lembrados, entre outros, Teófilo Otoni, natural do serro, que estudou na Escola Naval e posteriormente fez parte do movimento da navegação do comércio. Seu irmão Cristiano Otoni, engenheiro formado pela Marinha, o Visconde de Ouro Preto, que exerceu o cargo de ministro da Marinha durante o Império, o presidente Afonso Pena, que apoiou a modernização da esquadra brasileira, da qual fizeram parte os centros incorporados, Minas Gerais e São Paulo, que eu citado, e Raul Soares de Moura, natural de Ubá, que ocupou o Ministério da Marinha entre 1919 a 1920, um civil no Ministério da Marinha. Ministério da Armada, da Marinha de Guerra. E o mais significativo é que essa tradição não se encerrou nos livros de história, permanece viva e se renova a cada geração. Ainda hoje, Minas Gerais se faz presente em todos os níveis da hierarquia da Marinha no Brasil. Confusos de sua terra servem à pátria, nos mais diversos postos e graduações, dos marujos aos almirantes, entre os quais dois dos três mineiros. Tem representação da Marinha no Superior Tribunal Militar, o STM. Temos dois mineiros no STM, almirantes. Isso tudo é a demonstração de que Minas, embora não tenha mar, continua a contribuir em todos os níveis para a grandeza da nossa Marinha de Guerra. Senhoras e senhores, ao celebrarmos este centenário, não homenageamos apenas uma organização militar, uma sucessão de acontecimentos históricos. Homenageamos gerações de homens e mulheres que, sob o mesmo pavilhão nacional, dedicaram suas vidas ao serviço do Brasil. Militares que nas águas do oceano e em todos os rios do interior cumprem suas missões com disciplina, coragem, sacrifício, competência e, sobretudo, espírito público. É justamente esse compromisso que traduz o lema da Marinha do Brasil. O lema protegendo nossas riquezas, cuidando de nossa gente. Protegendo nossas riquezas, cuidando da nossa gente. Mais do que uma divisa institucional, essas palavras expressam a essência de uma missão que une a defesa do patrimônio nacional, a proteção da vida e ao serviço à sociedade brasileira. Assim, esta casa de Alphiética, a que há mais de oito séculos se dedica incansavelmente à preservação da memória mineira e nacional, reconhece nessa trajetória um patrimônio que merece ser valorizado e transmitido às futuras gerações e homenageia particularmente aqueles militares que serviram e servem em Minas Gerais, levando a presença da Marinha aos nossos rios, lagos e comunidades. Não podemos olvidar que a história de uma instituição não se mede apenas pelos anos transcorridos, mas pelo serviço prestado, pelos valores preservados e pelo legado que deixa à sociedade…
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945
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