Iniciativa inédita do Governo de Minas por meio da Secult-MG, abrangerá 55 municípios, com recursos do terceiro ciclo da Política Nacional Aldir Blanc

O Vale do Jequitinhonha terá, pela primeira vez, um edital estadual exclusivo para apoiar sua produção cultural. O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), destinará R$ 8 milhões à iniciativa, que abrangerá 55 municípios e será financiada com recursos do terceiro ciclo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
A destinação foi aprovada por unanimidade durante a 60ª reunião do Conselho Estadual de Política Cultural (Consec-MG), realizada na terça-feira (20/10), em Belo Horizonte. O encontro também marcou o encerramento do atual mandato do colegiado e a apresentação de propostas para os próximos dez anos da política cultural mineira.
Concebido para atender às características e às demandas do Jequitinhonha, o edital será voltado a artistas, produtores, coletivos e instituições culturais de três grandes regiões do Vale. A proposta é ampliar o acesso ao financiamento público, fortalecer a produção local e apoiar tanto a continuidade das manifestações tradicionais quanto o desenvolvimento de novas expressões artísticas.
Recursos para a diversidade cultural do Vale
O investimento representa um avanço na descentralização do fomento cultural em Minas Gerais. Com um instrumento próprio, o Jequitinhonha passa a contar com recursos direcionados ao seu território, onde a cultura se manifesta na cerâmica, na música, nas festas populares, nos saberes ancestrais e na criação contemporânea.
A subsecretária de Cultura, Maristela Rangel, destacou a abrangência da medida. “Estamos falando de 55 municípios que serão beneficiados exclusivamente por um edital voltado aos artistas do Vale do Jequitinhonha, contemplando três grandes regiões. São R$ 8 milhões aprovados hoje na plenária do Consec”, afirmou.
Reconhecida pela riqueza de seu patrimônio material e imaterial, a região reúne manifestações que atravessam gerações e ajudam a construir a identidade mineira. O novo edital pretende dar sustentação a essa produção, criando oportunidades para os agentes culturais que mantêm e renovam esse patrimônio.

Conselho encerra mandato com balanço das ações
Durante a reunião, o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, ressaltou a contribuição do Conselho para ampliar a participação dos diferentes territórios nas políticas públicas do setor.

“Tenho a convicção de que entregamos um sistema mais consolidado, fortalecido, descentralizado e muito mais democrático. Vocês fizeram um trabalho de excelência. Tenho muito orgulho de ter um conselho com essa magnitude”, declarou, ao agradecer aos conselheiros e à subsecretária pelo trabalho desenvolvido ao longo do mandato.
Novo Plano Estadual de Cultura em discussão
Além da aprovação dos recursos para o Jequitinhonha, o encontro apresentou o relatório final do Plano Estadual de Cultura, cujo ciclo decenal termina em 2026, e a proposta de um novo plano para orientar as políticas culturais mineiras nos próximos dez anos.
O documento seguirá para novas etapas de discussão e tramitação institucional, incluindo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Ao avaliar o período, Leônidas Oliveira defendeu o diálogo como base da construção das políticas culturais. “Essa é a beleza da democracia: trabalhar com protagonismo e diálogo, porque é com as diferenças de pensamento que a gente cresce”, afirmou.
O secretário encerrou destacando como perspectiva a continuidade das ações nos diferentes territórios do estado, com o fortalecimento de uma cultura “forte, livre e genuinamente mineira, mas também global”.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
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