MINAS CONEXÃO | Minhas lembranças da Pandemia - Da Linha de Frente - Por: Dr. Jandir Loureiro Junior

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Minhas lembranças da Pandemia – Da Linha de Frente – Por: Dr. Jandir Loureiro Junior

A experiência da pandemia deixou muitas lições, inclusive sobre a necessidade de preservar a autonomia médica e o direito de escolha do paciente quanto as diferentes estratégias terapêuticas

Foto: Reprodução OMS

Por: Dr. Jandir Loureiro*

“Depois das revelações do diário de Anthony Fauci, caiu a máscara daquele que era considerado o principal guia da resposta à Covid-19 nos Estados Unidos, com condutas replicadas no Brasil, principalmente depois que o supremo retirou atribuições do governo federal, repassando-as quase que exclusivamente a estados e municípios, inclusive com a respectiva verba.

A partir daí, o que se viu foi um desfile desperdícios e corrupção em nível hard. Exemplos não faltam, mas vou me ater àqueles que pude acompanhar mais de perto. Sou natural do Rio de Janeiro capital e escolhi Rio Bonito (RJ), cidade natal da minha esposa para morar. Uma cidade de médio porte com vocação rural, porém nem tudo são flores.

A gestão da pandemia foi uma das piores do nosso estado, graças as medidas draconianas do ex-prefeito José Luiz Mandiocão. Fiquei sabendo num jornal local que houve compra de insumos superfaturados, inclusive máscaras, além de respiradores sucateados com valores muito acima do mercado, chegando a dez vezes o preço habitual. Tudo isso somado a um lockdown bastante rigoroso, o que prejudicou justamente o carro-chefe da economia local: o comércio. Fora o fechamento de escolas que me fez matricular meu filho em outra cidade.

Diante de tantos equívocos e percebendo que quase ninguém criticava publicamente aquela política, seja por medo do vírus, seja por receio de represálias, eu, que já ombreava com colegas do grupo Médicos Pela Vida (MPV) e atendia pacientes na fase viral com bons resultados, resolvi me candidatar a vereador para combater não só as medidas acéfalas mas também a corrupção desenfreada, além de buscar soluções como o posto de atendimento precoce (ou imediato) de covid.

Na época, já atendia num pólo gripal na cidade vizinha com indicadores melhores, apesar de precariedade estrutural na saúde: Silva Jardim (RJ). Minha carreira política foi curta, sabotada pelo próprio candidato da majoritária (não citarei seu nome para não lhe fazer propaganda gratuita) que havia prometido que eu seria seu vice, o que jamais aconteceu.

Aquilo acabou reduzindo meu tempo de campanha para a vereança e o resultado não poderia ser outro. Ele sabia que meu interesse era muito mais idealista: lutar por uma saúde pública melhor, a despeito de cargo ou salário e se aproveitou, diss.  Lamentavelmente quando eleito, repetiu boa parte dos erros do seu antecessor. Erramos em confiar nele mas recebeu o troco. Foi aposentado pela própria população.

A proposta de posto de atendimento imediato covid (chamava-se PAI) Rio Bonito saiu do papel em maio de 2021, com a reunião de médicos ilustres da cidade e à distância da Dra Raissa Soares que promoveu o tratamento em Porto Seguro evitando da cidade turística ser fechada. Apesar de muitos dos médicos não estarem totalmente alinhados com as propostas do MPV, a mortalidade covid caiu bastante.

Com o tempo e má gestão, a proposta inicial se perdeu e eu, então, deixei de lado o trabalho político-partidário, focando na defesa da vida e da liberdade. Não poderia deixar de registrar também uma experiência marcante: minha visita ao município de Porto Feliz (SP), em plena pandemia, em meados de 2020. Fui recebido pelo prefeito, Dr. Cássio Prado, e por sua equipe, incluindo a médica secretária de Saúde.

Meu objetivo era conhecer de perto a estratégia adotada pelo município no enfrentamento da Covid-19 e, particularmente, o uso da ivermectina. Fiquei entusiasmado com a estratégia de profilaxia pós-exposição nos bairros mais atingidos em Porto Feliz. A distribuição dos medicamentos era realizada inclusive em campos de futebol. O prefeito reeleito com mais de 90% dos votos. Posteriormente, diferentes estudos acabou sendo confirmaram a visão do Dr Cássio, inclusive trabalhos realizados em Itajaí (SC) liderados pela Dra. Lucy Kerr e Dr. Flávio Cadegiani.

Outro momento muito importante foi a reunião de mais de 100 médicos brasileiros com o ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada em Brasília, no dia 24 de agosto de 2020. Além da emoção de estar ao lado de médicos que decidiram não cruzar os braços diante da doença e buscaram tratar seus pacientes, presenciei discursos inesquecíveis, como os das Dras. Nise Yamaguchi e Raíssa Soares, além de fazer contatos importantes para manter a distribuição de medicamentos reposicionados para o município de Silva Jardim.

Alguns meses depois, retornei ao Planalto Central. Dessa vez, para uma reunião mais intimista com o então presidente, colegas do movimento Médicos Pela Vida e o deputado e médico Osmar Terra. Ao contrário do que foi noticiado pelo consórcio de imprensa, nossa reunião foi integralmente transmitida em formato de live, não houve nada escondido ou “às sombras” conforme repetiam sem parar. Nosso pedido era simples: que os medicamentos reposicionados fossem disponibilizados à população pelo SUS e que médicos interessados em prescrevê-los pudessem receber treinamento, inclusive com nosso apoio.

E realmente, os medicamentos continuaram a ser destinados aos municípios que os solicitavam mas nada do que aventado na reunião teve continuidade, provavelmente pela perseguição ferrenha da mídia. Nossa proposta buscava um tratamento integral, com ênfase na fase viral, pré-hospitalar, mas também sem ignorar a fase inflamatória, com a possibilidade de emprego de corticoides e anticoagulantes quando necessários. Já a fase hiperinflamatória ou pulmonar, popularmente conhecida como SRAG (síndrome respiratória aguda grave) nosso grupo também defendia estratégias de ventilação menos invasivas e outras opções terapêuticas que, naquele momento, começavam a acumular evidências.

Costumo lembrar, em reuniões, lives e outros encontros, que um dos fatores que podem ter contribuído para o baixo índice de óbitos em Silva Jardim foi justamente o fato de o município não dispor de um CTI bem estruturado. Pode parecer contraditório, mas havia uma explicação: a orientação da medicina “fauciana” da época era entubação precoce em casos positivos para covid, ou seja, paciente com RT-PCR positivo, mesmo sem falência respiratória.

Fato é que o índice de óbitos subia vertiginosamente com entubação e ventilação mecânica chegando a 80 %. Um estudo realizado em Nova Iorque apontou para 97,5% de óbitos em idosos acima de 65 anos e portadores de covid. Em Silva Jardim, a entubação era protelada o quanto fosse possível, até acordar uma transferência para um município mais estruturado ou mesmo adotando ventilação menos invasiva como o cateter de oxigênio ou ventilação não invasiva (VNI), para melhorar a saturação do paciente.

Talvez por isso, a equipe médica adotou desde o início o tratamento precoce com ivermectina e não largou mais. Mesmo com a CPI da pandemia escarnecendo médicos do tratamento precoce em rede nacional, o máximo que aconteceu no município foi a retirada da cópia do protocolo dos corredores. Mesmo encerrada a crise pandêmica, havia disponibilidade das medicações reposicionadas na farmácia municipal.

O virologista Paolo Zanotto que participou da reunião em Brasília, e apesar da sua formação acima da curva foi um dos mais atacados pelo consórcio, logo ele que estuda o coronavírus há decadas, relatou em seu perfil no Twitter que, potencialmente, 92% dos óbitos poderiam ter sido evitados, o que representaria cerca de 25 mil mortes, em vez das 700 mil registradas. Olavo de Carvalho costumava dizer “ser odiado por multidões de ignorantes é o preço de não ser um deles”.

Por outro lado, a mortalidade brasileira poderia ter sido ainda maior se o remdesivir, medicamento defendido por Fauci, tivesse sido amplamente utilizado em nosso meio. O medicamento originalmente produzido para tratamento do ebola e depois reposicionado para covid, foi associado a toxicidade renal. Seu custo elevado, porém, acabou limitando sua utilização no Brasil, o que, felizmente, restringiu sua adoção em larga escala.

A experiência da pandemia deixou muitas lições, inclusive sobre a necessidade de preservar a autonomia médica e o direito de escolha do paciente quanto as diferentes estratégias terapêuticas. Quanto a mim, aposentei de vez o político que havia em mim, mas não o médico, nem o cidadão. Os meus padrinhos políticos jamais entenderão que minha luta foi realmente em prol da saúde das pessoas e não pensando em lucrar ou numa próxima eleição.

Continuo apoiando o MPV, inclusive nossa missão está longe de acabar. Somos o único país a obrigar o experimento genético em crianças. Continuo estudando, questionando e, acima de tudo, defendendo a vida e a liberdade. E confirmo a célebre frase da Dra Tess Lawrie repetida pela Dra Roberta Lacerda numa entrevista de rádio e que virolizou nas redes: “a ivermectina tem o poder de parar essa pandemia”. Tinha mesmo.”

*Dr. Jandir de Oliveira Loureiro Junior é formado pela UNI-RIO, concursado na rede municipal do SUS – RJ, Pós graduado em Radiologia e Diagnóstico por Imagem e Medicina do Trabalho no Hospital Santa Casa do RJ  e RQE em ultrassonografia – Foi emergencista durante a pandemia no Polo Gripal de Silva Jardim, município que manteve um dos menores índices de letalidade por Covid em todo o estado do Rio. E Coordenador das Lives Comunica Médicos pela Vida.

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor

www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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