Construído no século 19, o templo abriga um vitral doado por Dom Pedro II, uma pintura de Mestre Ataíde e as relíquias de São Pio Mártir

Entre as montanhas de Catas Altas e Santa Bárbara, a Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens anuncia a chegada ao Santuário do Caraça. Suas torres pontiagudas, os vitrais franceses e a fachada de pedra revelam um capítulo singular da arquitetura brasileira: o templo é considerado a primeira igreja neogótica do país. Em seu interior, a história do Caraça se encontra com a arte barroca mineira e com objetos de devoção preservados há mais de dois séculos.
A igreja atual foi erguida no lugar da ermida construída pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora no século 18. Com o crescimento do Colégio do Caraça e a presença do Seminário Maior de Mariana, o padre francês Júlio Clavelin decidiu construir um templo maior. As obras começaram em 1876 e terminaram sete anos depois. A consagração ocorreu em 27 de maio de 1883.

Pedra-sabão retirada da região da Cascatona, mármore das proximidades de Mariana e quartzo encontrado na serra foram empregados na construção. Na fachada, duas datas recordam momentos distintos da história do santuário: 1775, ano da sagração da antiga ermida, e 1880, quando foi colocada a imagem de Nossa Senhora das Graças no frontispício.
“Cada pedra desta igreja conta um pedaço da nossa história. Preservar essa riqueza histórica e cultural é a nossa missão, e receber cada visitante é uma forma de perpetuá-la”, afirma o diretor administrativo do Santuário do Caraça, padre Adalberto Costa.
Um acervo para observar de perto
No interior da igreja, o vitral central chama a atenção pela dimensão e pela origem: foi doado por Dom Pedro II, que visitou o Caraça em 1881, quando a construção ainda estava em andamento. O templo também abriga a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens, trazida de Portugal em 1784. Santuário do Caraça

Outro destaque é a relíquia de São Pio Mártir. Segundo o santuário, seu corpo foi o primeiro de um santo a vir para o Brasil e chegou ao Caraça por volta de 1797. O acervo inclui ainda a tela Santa Ceia, pintada por Mestre Ataíde em 1828, além de altares com trabalhos do artista e de um órgão construído pelo padre Luís Gonzaga Boavida. Santuário do Caraça
À espera do lobo-guará
Depois que anoitece, a atenção de quem está hospedado no Caraça se volta para o adro da igreja. Ali acontece a chamada Hora do Lobo, tradição iniciada em 1982, quando lobos-guarás passaram a ser observados nas proximidades do santuário. A espera começa a partir das 19h30, mas a visita do animal não tem horário marcado nem é garantida. Santuário do Caraça

“O Caraça é um lugar onde o silêncio fala. Quem chega procurando apenas um ponto turístico acaba encontrando um ponto de encontro consigo mesmo, com a história e com Deus”, diz padre Adalberto.
A experiência ajuda a mostrar a dimensão do lugar. Além da igreja, o complexo reúne o antigo colégio, hoje ligado ao museu e à biblioteca, espaços de hospedagem, trilhas e áreas naturais protegidas. É um destino em que patrimônio histórico, fé e conservação ambiental fazem parte da mesma visita.
Serviço
Santuário do Caraça: Estrada do Caraça, km 9, entre Catas Altas e Santa Bárbara, Minas Gerais.
Visitação diurna: diariamente, das 8h às 17h. A entrada de visitantes ocorre até as 15h.
Ingresso: R$ 35 por pessoa de segunda a sexta-feira, exceto feriados e datas comemorativas; R$ 45 nos fins de semana, feriados e datas comemorativas. Pessoas a partir de 60 anos e moradores de Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais têm 50% de desconto, conforme as condições informadas pelo santuário. A visita ao museu tem cobrança separada de R$ 10. Santuário do Caraça
Informações e hospedagem: santuariodocaraca.com.br
centraldereservas@santuariodocaraca.com.br | (31) 98540-2908.
A reportagem é do articulista Fernando de Almeida – Economista e filiado à Abrajet-MG e a Ajoia Brasil
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Ex-presidente da ABIH-MG e da Abrajet-MG. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
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