Intervenção realizada em pleno horário de grande movimento transformou percursos de uma hora em viagens de até três horas. Usuários cobram planejamento da concessionária e fiscalização do poder público

Leitores do Portal Minas Conexão que utilizaram a BR-381 em direção a São Paulo nesta quinta-feira, 24 de setembro, relataram longos congestionamentos entre Betim e São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo os motoristas, a lentidão teria sido provocada por uma operação de capina e manutenção às margens da rodovia. Áudios e vídeos encaminhados ao Minas Conexão informaram sobre extensas filas de veículos e motoristas praticamente parados na estrada.
Trajetos normalmente percorridos em aproximadamente uma hora teriam levado até três horas, causando perda de compromissos e uma série de transtornos aos usuários. O engenheiro Ubiratan Soares de Sá disse que não é a primeira vez esta semana: “Passei no local no início da semana e constatei a mesma lentidão, o que mostra falta de planejamento e desrespeito ao usuário”, reclama.
A manutenção da vegetação às margens da rodovia é necessária e faz parte das responsabilidades da concessionária. O questionamento, portanto, não é sobre a realização do serviço, mas sobre o horário escolhido e a ausência de medidas capazes de reduzir seu impacto no trânsito.
“Intervenções que exigem bloqueios, estreitamento de pistas ou movimentação de equipes e equipamentos deveriam ser programadas para horários de menor circulação, preferencialmente à noite ou durante a madrugada, caso existam condições adequadas de segurança,” reclama Ana Alice Gomes, médica que atua na região e ficou presa no congestionamento.
Realizar esse tipo de trabalho em uma quinta-feira, quando aumenta o fluxo de veículos deixando Belo Horizonte em direção ao interior e a São Paulo, revela falta de planejamento operacional. O usuário paga pedágio e tem o direito de exigir não apenas uma rodovia conservada, mas também respeito, informação e organização.
“Não é aceitável que milhares de pessoas permaneçam paradas durante horas sem alternativas, previsões claras ou medidas efetivas para amenizar o problema. Também cabe ao poder público fiscalizar o planejamento das intervenções executadas pela concessionária”, cobrou a empresária Cristina de Almeida que perdeu compromissos em Itaguara-MG por causa da lentidão na BR 381.
A manutenção da rodovia não pode ser feita de maneira unilateral, desconsiderando os prejuízos provocados aos motoristas, às empresas de transporte e à economia da região. O episódio desta quinta-feira exige explicações: qual foi o planejamento adotado, por que o serviço foi realizado naquele horário, quais medidas foram tomadas para controlar o tráfego e se os usuários receberam informações antecipadas sobre possíveis retenções.
Conservar a BR-381 é obrigação. Planejar corretamente as intervenções e proteger quem utiliza a rodovia também. O motorista não pode continuar pagando a conta da desorganização.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Ex-presidente da ABIH-MG e da Abrajet-MG. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
Fortalecendo o jornalismo independente, você está defendendo a democracia e convidando a militância de redação a exercer com ética e respeito a profissão: Doe, compartilhe, anuncie e sugira pautas.








