Um ano depois de prometer a solução do gargalo em apenas dois meses, o prefeito Álvaro Damião deixa que a obra se arraste e desafie diariamente a paciência de milhares de motoristas

Três operários com uniformes alaranjados da Prefeitura de Belo Horizonte tentam manter as aparências no alargamento do viaduto do trevo do BH Shopping, no encontro da Avenida Raja Gabaglia com a BR-356.
Diante da dimensão da intervenção e da urgência daquele gargalo, a cena chega a ser constrangedora: três trabalhadores em ritmo lento, numa obra que deveria mobilizar equipes numerosas, máquinas e jornadas ampliadas.
Há exatamente um ano, o prefeito Álvaro Damião esteve no local e prometeu resolver o problema em dois meses. O prazo passou, o calendário avançou e a obra não foi concluída. Na verdade, ela não está sendo executada com a urgência necessária: está sendo arrastada, num verdadeiro desafio à paciência de quem depende diariamente do Portal Sul de Belo Horizonte.
Estamos falando de um dos pontos mais críticos da mobilidade da capital, por onde passam mais de 150 mil veículos todos os dias. Trabalhadores, empresários, estudantes, pacientes e moradores da região enfrentam congestionamentos intermináveis, perdem compromissos e desperdiçam horas de suas vidas.
Mesmo assim, a Prefeitura parece tratar a intervenção como uma obra secundária, sem qualquer compromisso visível com prazo, eficiência ou respeito ao cidadão. A presença de apenas três operários no local soa como uma tentativa de sustentar a aparência de que os trabalhos continuam.
Mas ninguém razoavelmente acredita que três trabalhadores sejam suficientes para executar o alargamento de um viaduto dessa importância. Uma intervenção emergencial naquele ponto deveria contar com várias frentes de serviço, planejamento rigoroso e, se tecnicamente possível, atividades durante 24 horas.
Depois da visita e das fotografias feitas há um ano, Álvaro Damião aparentemente não voltou ao canteiro para verificar se sua promessa estava sendo cumprida. O coordenador da Regional Centro-Sul, Astolfo José da Costa Junior, os vereadores Bráulio Lara, Fernanda Altoé, o ex-deputado Estadual João Vitor Xavier, que acompanhavam o prefeito, também não demonstraram publicamente a mesma disposição para retornar e cobrar resultados.
E onde estão os outros vereadores de Belo Horizonte, responsáveis por fiscalizar o Executivo e defender os interesses da população. Por onde anda o Ministério Público, o CREA-MG, O Sicepot, a ACMinas, a Sociedade Mineira de Engenheiros, os sabichões do CODESE? Por onde andam o padre o bispo e o sacristão?
Prometer diante das câmeras é fácil. Difícil, ao que parece, é acompanhar a execução, cobrar a empresa responsável, exigir produtividade e prestar contas à sociedade. Prefeito, gestores regionais, procuradores, vereadores e servidores não fazem favor algum à população. Todos são pagos com dinheiro público para cumprir responsabilidades e entregar resultados.
Enquanto as autoridades desaparecem, o cidadão continua preso no congestionamento. A Prefeitura mantém três operários no local e espera que a população acredite que a obra está andando. Não está. A obra está se arrastando, lentamente, vergonhosamente e sem prazo confiável para terminar.
Essa cena resume a Belo Horizonte atual: uma cidade maltratada pela lentidão administrativa, pelas promessas esquecidas e pela ausência de fiscalização. O povo espera no trânsito e adoece mentalmente; as autoridades seguem adiante. E o trevo do BH Shopping permanece como monumento à incompetência, ao descaso e à falta de respeito com quem sustenta a máquina pública.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Membro do Observatório da Mobilidade. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
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