O atraso na divulgação dos resultados exige esclarecimentos técnicos, por técnicos e não por magistrados que não são do ramo. A cobrança ganha força quando distingue fatos, hipóteses e provas

Uma eleição precisa oferecer ao cidadão condições de conferir o resultado, incluindo o voto. No Brasil, na Estônia, Butão, Venezuela e Índia, isso não é possível, pois as urnas são eletrônicas. Por isso, a interrupção na atualização dos números presidenciais na noite de 4 de outubro merece uma explicação pública detalhada, compreensível e verificável.
O episódio existiu e ninguém pode negar. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, que não é expert em TI, reconheceu um atraso de aproximadamente uma hora, atribuindo o problema a congestionamento de dados. E ponto final… A eleição de uma expressiva bancada de direita para o Senado e a vitória de governadores alinhados com um lado do espectro, suscita dúvidas em relação aos resultados para presidente por uma diferença tão pequena.
Segundo o balanço publicado pelo próprio tribunal, a intercorrência atingiu a divulgação, enquanto a apuração e a totalização transcorreram normalmente. Mas essa é a versão oficial, que deve ser examinada à luz de registros técnicos, e não de declarações de quem não tem domínio da máquina: Tecnologia da urna eletrônica que não é objeto de questionamento somente pela “obediente” imprensa nacional e pela “prôba” esquerda tupiniquim.
A distinção entre etapas é fundamental. A apuração ocorre em cada urna e produz o Boletim de Urna. A totalização reúne e soma esses resultados. A divulgação apresenta os números ao público. Um painel parado, portanto, não demonstra sozinho que votos deixaram de ser recebidos ou que a soma foi interrompida, mas abre questionamentos em um ambiente já contaminado por desvios comportamentais, incluindo de membros da Suprema Corte. Ainda que o TSE disponibilize boletins por seção para conferência dos resultados.
Isso não encerra o debate. Abre perguntas mais precisas: qual componente apresentou congestionamento? Quando o problema começou e terminou? Quais arquivos e abrangências foram afetados? O recebimento continuou durante a interrupção? Quanto tempo separou a totalização interna da publicação dos números? Qual a razão do número de senadores de um dos espectros ser o dobro do de votos para presidente de outro.
São questões que uma explicação genérica sobre “congestionamento” não resolve integralmente. Um relatório técnico deveria apresentar a cronologia do incidente, o alcance da falha e os procedimentos de recuperação, com informações suficientes para avaliação independente, tudo de forma transparente e sob o olhar de observadores nacionais e internacionais.
Também é legítimo investigar a mudança brusca nas proporções dos candidatos depois da retomada, que saltou aos olhos mais uma vez. E digo mais uma por razões objetivas, já aconteceu na eleição de Aécio e Dilma, Bolsonaro e Hadad e Bolsonaro e Lula.
Essa investigação precisa começar pelos dados. Sem os votos acumulados em cada atualização, os horários correspondentes e a composição territorial das seções incorporadas, não se pode medir adequadamente a mudança alegada, muito menos determinar sua causa de forma superficial. Não vivemos uma normalidade democrática e é justo o questionamento.
A estabilidade anterior de uma curva não transforma a totalização em pesquisa por amostragem aleatória. Urnas chegam em ritmos diferentes conforme distância, infraestrutura e procedimentos operacionais. Uma sequência aparentemente regular pode ser seguida pela incorporação de localidades com preferências eleitorais distintas, sem que isso represente alteração dos votos.
Sem transparência e explicações técnicas convincentes, surgem as expressões como “transplante de votos” e conclusões sobre divergências entre boletins, arquivos recebidos e resultados publicados, alimentando a hipótese de inconsistências e fortalecendo cobranças que são legítimas e precisam ser feitas.
O cidadão tem razões para exigir explicações quando a divulgação de uma eleição falha. Cabe ao TSE tornar o incidente compreensível e permitir a conferência dos números. Cabe a quem questiona formular hipóteses testáveis e confrontá-las com os registros. E isso evitaria a multiplicação nas redes sociais de teses que levantam suspeitas sobre inconsistências. Não sou especialista no tema, mas nem tampouco acéfalo para não perceber anormalidade nos resultados.
A confiança pública se fortalece quando perguntas recebem respostas demonstráveis. O caminho para esclarecer o episódio passa pela publicação da cronologia técnica, pelos técnicos e não por um ministro que não entende bulhufas do assunto. Capas pretas e mandatos não ungem nenhum ser humano de saberes especiais.
Com efeito, a solução passa também pela identificação dos dados incorporados durante o intervalo e pela conferência dos resultados com os respectivos Boletins de Urna. Isso não é desconfiança, é direito de saber o que aconteceu e que segue sem explicação plausível.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Ex-presidente da ABIH-MG e da Abrajet-MG. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
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Confiança nas instituições é indispensável para uma Nação prosperar!
Caro José Aparecido nobre jornalista de escol.
Voce foi cirúrgico nos comentários acerca do perigo que está no ar.
Em se tratando de anti nacionalistas há decadas burlando as leis, e leves, livres e soltos, todo cuidado eh pouco.
Não podemos mais permitir tais atos. Será que teremos de fortalecer o Help USA?