MINAS CONEXÃO | A geração abreviada - Muita Informação, pouca formação - Por: Mário Plaka

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A geração abreviada – Muita Informação, pouca formação – Por: Mário Plaka

Nesta crônica, Mário Plaka, membro fundador da AJOIA Brasil, faz um alerta sobre a “Geração abreviada”

Foto: BR Freepik

 

Por: Mário Plaka – Jornalista e escritor

“Nós estamos vivendo o tempo da abreviação.

Tudo é curto.

Rápido.

Fragmentado.

Textos curtos demais para explicar.

Vídeos rápidos demais para formar.

Opiniões rasas demais para sustentar uma verdade.

As pessoas sabem um pouco de tudo, mas não entendem quase nada profundamente.

Não é falta de inteligência.

É falta de permanência.

Vivemos numa geração que não suporta processos.

Não suporta silêncio.

Não suporta leitura longa.

Não suporta reflexão.

Quer conclusão sem caminho.

Resultado sem construção.

Opinião sem responsabilidade.

A geração abreviada consome frases, mas não constrói pensamento.

Decora palavras, mas não entende conceitos.

Repete discursos, mas não domina o conteúdo.

E isso está matando algo essencial: a formação do caráter.

Quando você abrevia demais um texto, você perde o contexto.

Quando perde o contexto, você perde o sentido.

Quando perde o sentido, você se torna facilmente manipulável.

Uma geração sem contexto é uma geração vulnerável.

Por isso vemos pessoas defendendo ideias que não compreendem.

Atacando aquilo que não estudaram.

Seguindo líderes que não conhecem.

Vivendo vidas que não escolheram conscientemente.

Tudo é imediato.

Tudo é agora.

Tudo é raso.

Ninguém quer ler um livro.

Ninguém quer escrever um texto.

Poucos conseguem sustentar um raciocínio do início ao fim.

Interessante que até os erros aumentaram.

As pessoas escrevem mal, interpretam pior ainda e se orgulham disso.

Outro dia sonhei que escrevia um texto e tirava uma nota muito baixa.

Não porque eu não sabia escrever, mas porque tentei reduzi-lo ao máximo.

Cortei o que explicava.

Cortei o que fundamentava.

Cortei o que dava profundidade.

O resultado foi um texto fraco.

E a nota foi baixa.

O mais simbólico: ninguém naquela sala tirou nota alta.

Todos foram mal avaliados.

Esse sonho é um retrato do nosso tempo.

Uma geração inteira abaixo da expectativa.

Abaixo do potencial.

Abaixo daquilo que aparenta ser.

Vivemos numa sociedade que performa muito e sustenta pouco.

Isso aparece na política.

Na fé.

Na família.

Nas relações.

Pessoas querem paz, mas não querem responsabilidade emocional.

Querem liberdade, mas não querem limites.

Querem direitos, mas não suportam deveres.

Tudo precisa ser fácil.

Rápido.

Sem dor.

Sem espera.

Mas a vida não funciona assim.

Nenhuma construção sólida é abreviada.

Nenhum caráter forte nasce rápido.

Nenhuma fé madura é superficial.

Nenhuma consciência verdadeira é formada em resumos.

Até o Natal virou uma data.

Até o Ano Novo virou um evento.

Até a fé virou slogan.

Quando, na verdade, tudo isso é processo.

Cristo não veio para formar uma geração apressada.

Veio para formar uma geração consciente.

Ele não entregou frases soltas.

Ele caminhou com pessoas.

Explicou.

Repetiu.

Formou.

O problema não é o tempo curto.

O problema é a pressa sem propósito.

A geração abreviada não é vítima do tempo.

É resultado de escolhas.

Escolhas por não aprofundar.

Por não permanecer.

Por não estudar.

Por não pensar.

Mas ainda há saída.

Ela começa quando alguém decide parar.

Ler.

Refletir.

Escrever.

Pensar até o fim.

Porque o mundo não precisa de mais informação.

Precisa de formação.

E formação exige tempo.

Silêncio.

Processo.

Isso não é atraso.

Isso é maturidade.”

Mário Plaka é editor da Ouvidoria Popular, membro fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes – AJOIA Brasil

j. A. Ribeiro é jornalista e editor

www.minasconexao.com.br – jaribeirobh@gmail.com

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