MINAS CONEXÃO | A última imagem de Belo Horizonte é o retrato da esculhambação na saída para o Aeroporto Internacional

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A última imagem de Belo Horizonte é o retrato da esculhambação na saída para o Aeroporto Internacional

O que mais impressiona é a sensação de que quem governa BH não passa por ali. É difícil imaginar que o prefeito, secretários, assessores e responsáveis pela mobilidade percorram aquele trajeto e considerem normal 

Foto: Imagem criada por IA – Prefeito de Belo Horizonte – Álvaro Damião 

Imagine um turista, empresário, investidor, agente de viagens ou organizador de grandes eventos deixando Belo Horizonte em direção ao Aeroporto Internacional de Confins – BH Airport. Depois de conhecer a capital mineira, ele segue pela Avenida Cristiano Machado e se depara, justamente na despedida da cidade, com uma das piores imagens que Belo Horizonte poderia oferecer: trânsito desorganizado, congestionamentos, sinalização que já não responde adequadamente ao volume de veículos e uma paisagem urbana marcada pela sensação de abandono.

É difícil encontrar palavra mais apropriada: esculhambação. Uma esculhambação urbana que não combina com a importância de Belo Horizonte e muito menos com a condição estratégica daquele corredor. Cristiano Machado e Antônio Carlos não são avenidas quaisquer. São dois dos principais eixos de ligação da capital com o Vetor Norte, com Venda Nova e, sobretudo, com o Aeroporto Internacional de Confins – BH Airport.

Quem percorre a Av.  Cristiano Machado em direção à região da Catedral Cristo Rei e do Shopping Estação conhece o problema. De repente, o trânsito simplesmente para. De um lado, o fluxo segue em direção ao Vetor Norte; de outro, veículos procuram o acesso para Venda Nova e desvio para a Av. Pedro I. A sinalização tenta orientar os motoristas, mas sem conseguir compensar uma estrutura viária submetida a uma demanda muito superior àquela que consegue absorver com eficiência.

Quando a engenharia de trânsito não consegue resolver imediatamente um gargalo, existe uma providência elementar: presença humana para organizar o tráfego.

Onde estão os agentes de trânsito?

Um ponto dessa importância deveria receber acompanhamento permanente nos horários críticos, e, diante de sua relevância estratégica, monitoramento constante. Não se trata de luxo. Não se trata de favor ao motorista. É obrigação do poder público.

Não é razoável abandonar milhares de condutores à própria sorte, submetidos apenas a semáforos, vias disformes, e sinalizações que evidentemente já não conseguem organizar satisfatoriamente aquele volume de tráfego. Se a solução definitiva exige obras, planejamento e tempo, a Prefeitura precisa, no mínimo, administrar o problema enquanto essas soluções não chegam. Não é admissível largar à própria sorte, os cidadãos que circulam pela região.

O que mais impressiona é a sensação de que quem governa Belo Horizonte simplesmente não passa por ali. Porque é difícil imaginar que o prefeito Álvaro Damião, secretários, assessores e responsáveis pela mobilidade urbana percorram frequentemente aquele trajeto e considerem normal o cenário encontrado.

Se conhecem a situação, por que não tomam providências? Se não conhecem, surge uma pergunta ainda mais preocupante: como se administra uma cidade sem percorrer seus principais corredores? E existe um aspecto que vai muito além da mobilidade: A Cristiano Machado é parte da vitrine de Belo Horizonte.

Por ela passam turistas, executivos, investidores, profissionais que participam de congressos, representantes de empresas, agentes do setor de turismo e pessoas que podem decidir realizar – ou não – um evento, um congresso, empreendimentos ou grandes investimentos na capital mineira. A experiência de uma cidade não termina na porta do hotel. Ela termina quando o visitante vai embora.

E qual é a última imagem que Belo Horizonte oferece a quem segue para o aeroporto?

Congestionamento. Desorganização. Degradação urbana. Falta de cuidado. Ausência do poder público. É uma péssima despedida. E não estamos falando apenas do trânsito. Basta observar o entorno. Há trechos visualmente degradados, pouco acolhedores e incompatíveis com aquilo que deveria ser uma grande avenida de ligação entre uma metrópole e seu aeroporto internacional. E não venham me dizer que a causa é a obra da Trincheira. Ela é mais um motivo para a presença de agentes de trânsito agindo pró-ativamente para permitir fluidez mínima e organizar o caos.

Falta paisagismo, manutenção, limpeza, ordenamento e, sobretudo, a percepção de que alguém está cuidando daquele espaço. Uma cidade que deseja disputar congressos, feiras, grandes eventos, turistas e investimentos precisa compreender que imagem urbana também é desenvolvimento econômico. O empresário observa. O turista observa. O organizador de eventos observa. O investidor observa.

Me parece que o prefeito e o seu time de campo, está com dificuldades para algo elementar: Enxergar a cidade com olhos atentos e de visitante, como acontece com qualquer pessoa quando viaja. Uma capital não pode gastar recursos promovendo sua imagem enquanto permite que uma de suas principais portas de entrada e saída transmita exatamente a mensagem contrária do que se vende. Lembro que a Belotur a Secult-MG e a Casa do Turismo (BH Convention & Visitours Bureau) gastam milhões divulgando BH. Mas esquecem de arrumar a casa antes.

O que fazer?

Belo Horizonte precisa tratar a Av. Cristiano Machado e a Av. Antônio Carlos como corredores estratégicos. Isso significa presença permanente dos órgãos responsáveis pelo trânsito nos pontos críticos, revisão da engenharia de tráfego, sinalização adequada, manutenção, limpeza, iluminação, paisagismo e um projeto de requalificação urbana capaz de transformar esses eixos em avenidas compatíveis com a importância da capital mineira e com o que se vende lá fora.

Não estamos cobrando luxo, estamos cobrando gestão. Não estamos pedindo favor, estamos exigindo que o poder público cumpra sua obrigação. Talvez esteja na hora de o prefeito Álvaro Damião e seus principais auxiliares fazerem algo muito simples: entrarem em um carro, percorrerem a Cristiano Machado e a Antônio Carlos nos horários de maior movimento e seguirem até o aeroporto como faria qualquer visitante. Sem batedores, sem caminho preparado, sem tratamento especial.

Talvez assim compreendam o que milhares de belo-horizontinos enfrentam todos os dias e, principalmente, qual é a última fotografia que Belo Horizonte entrega a quem vai embora. Porque uma cidade também é julgada pela imagem que deixa na despedida. E, hoje, a despedida que Belo Horizonte oferece naquele corredor é indigna da capital que queremos ser.

José Aparecido Ribeiro é jornalista, editor e presidente da Ajoia Brasil, membro do Observatório da Mobilidade.

www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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3 Comments

  • De fato, o trânsito é caótico em diversas vias de Belo Horizonte. As duas vias citadas são de extrema importância, mas a BR-381, uma das principais “portas de entrada” de BH, especialmente para quem passa por Contagem, torna-se quase intransitável em determinados horários — e, em alguns dias, praticamente ao longo de todo o dia.
    Essa situação é inviável para os moradores de Belo Horizonte e da Região Metropolitana que precisam se deslocar diariamente em um ou outro sentido, seja para trabalhar, estudar ou cumprir compromissos essenciais. A população urbana cresceu, e a aquisição de veículos tornou-se mais acessível com a redução de impostos ocorrida alguns anos atrás. No entanto, a infraestrutura viária não acompanhou esse crescimento. O resultado é um fluxo cada vez maior de veículos circulando por vias que não foram projetadas ou ampliadas para comportar tamanha demanda.

    E quem paga essa conta? A própria população, que já é submetida a uma elevada carga tributária e ainda depende de uma infraestrutura deficiente para se deslocar e cumprir suas obrigações diárias. O problema vai muito além do congestionamento: são horas perdidas no trânsito, maior desgaste físico e emocional, aumento dos custos de deslocamento e, consequentemente, perda significativa de qualidade de vida.

    É necessário pensar em soluções de mobilidade que acompanhem o crescimento da população e da frota de veículos. Sem investimentos proporcionais à demanda, continuaremos apenas administrando congestionamentos, enquanto a população perde tempo, dinheiro e qualidade de vida.

  • Sim. costumo viajar e infelizmente escuto em outras capitais comentários negativos sobre a cidade Belo Horizonte, Área central e vias de acesso.

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