Um cão que tinha nome de deus egípcio, Anubis, conhecido por seu papel de liderança espiritual, farol para espíritos corajosos e sempre prontos para novos projetos – Anubis era diferente

Há cães que nos fazem companhia. Outros se tornam parte da família. E existem aqueles raríssimos que parecem transcender a própria condição animal, deixando marcas profundas na vida de todos que tiveram o privilégio de conhecê-los. Assim foi o Anubis.
O elegante Galgo Inglês que acompanhou por mais de uma década a amiga e ex-deputada federal Maria Elvira viveu como poucos cães vivem: cercado de afeto, respeito e uma extraordinária comunhão de almas com sua tutora.
Nesta segunda-feira, Anubis partiu, encerrando uma trajetória marcada pela nobreza, pela delicadeza e por uma serenidade que impressionava quem cruzava seu caminho. Quem frequentava a casa de Maria Elvira, na Pampulha, conhecia bem sua presença silenciosa.
A residência, repleta de história, arte e memórias, está sempre de portas abertas aos amigos. E lá estava Anubis, invariavelmente ao lado da anfitriã. Nunca para chamar atenção. Nunca para disputar espaço. Apenas presente, elegante e leve como uma pluma, como um verdadeiro gentleman.

Era impossível não notar seu comportamento incomum. Muitos jamais ouviram um único latido seu. Observava tudo com um olhar atento e sereno, como se compreendesse muito mais do que as palavras eram capazes de expressar. Sua postura lembrava a de um lorde inglês, discreto, educado e dono de uma sensibilidade rara.
Maria Elvira, mulher muito à frente de seu tempo, pioneira na política brasileira e uma das lideranças do movimento feminista dos anos 1980, despediu-se do companheiro com a mesma coragem e lucidez que marcaram sua trajetória. Quem conhecia a relação dela com este cão sabe o quanto isso está custando para ela.
Depois do diagnóstico de câncer, das cirurgias e dos tratamentos, tomou a difícil decisão de poupá-lo do sofrimento quando a medicina já não podia oferecer qualidade de vida. Hoje pela manhã ela enviou mensagem comunicando a partida do cão que tinha nome de deus egípcio, símbolo de justiça. Na mitologia egípcia, ele é o deus das almas, responsável por conduzir os espíritos e supervisionar o rito de passagem.

“Hoje é um dia triste para mim. Partiu meu amado Anubis, depois de tantos anos da melhor convivência, cheio de amor, elegância, lealdade, nobreza e comunhão de almas e olhares. Fiz tudo o que era possível, e ele sabe que foi sempre muito amado”, escreveu, emocionada.
Anubis será sepultado no jardim da casa onde viveu e foi feliz. Sob uma árvore, permanecerá para sempre no lugar que escolheu como lar. Ali receberá uma cruz com seu nome e as datas de nascimento e partida, uma homenagem simples, mas carregada de significado. Talvez alguns digam que era apenas um cachorro. Quem o conheceu sabe que não.

Anubis foi um desses seres extraordinários que, sem dizer uma única palavra, ensinaram sobre lealdade, dignidade, elegância e amor incondicional. Sua ausência deixará um silêncio diferente naquela casa da Pampulha. Um silêncio semelhante ao que ele próprio cultivou durante toda a vida: sereno, respeitoso e cheio de significado.
À Maria Elvira, fica a minha solidariedade e o abraço amigo de quem sempre admirou o Anubis pela elegância que sua raça lhe proporcionava e a lhaneza que expressava nas ocasiões em que, sentado ao lado da tutora, se portava com discrição comum aos espíritos elevados, ainda que animais não tenham espíritos, mas almas, segundo a Bíblia Sagrada. Fica também a certeza de que Anubis continuará vivo na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecer aquele inesquecível lorde de quatro patas.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945
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Parabéns José Aparecido, para mim, que conviveu muito de perto com o Anúbis, digo que você conseguiu retratar muito bem quem foi ele. Nas manhãs sentávamos, eu e Maria Elvira para o café da manhã e ele chegava, como para dar bom dia. Parava olhando pra gente. Maria Elvira puxava uma cadeira, ele, com aquela leveza natural de um Galgo Whipped, pulava na cadeira e ficava esperando ser servido. Miolo de pão com manteiga dado na boca. Sem manteiga não comia. Era assim.
Oh!!! Tão lindo, tão elegante. Tão especial. Sinto muito por você minha querida, sei o quanto ele era especial para você. Um beijo no seu coração.
Anubis foi mesmo um grande companheiro, discreto e elegante , era só amor! Deixa saudades e a felicidade de tê-lo conhecido e acariciado! Amamos você Anubis!
Maria Elvira, sei da dor de perder um amigo leal, de amor incondicional. A cronica escrita pelo Zé Aparecidoficou muito boa e deve tet tocado seu coração
Ahhhh Anubis, que linda e merecida homenagem. Momento de tristeza, perda irreparável, em momento necessario.
Que linda homenagem!
O amor verdadeiro deixa marcas eternas, e a saudade é o preço de quem teve o privilégio de amar. Que Deus console o coração da Maria Elvira neste momento de despedida.
ME triste com a notícia!!! Anubes vai ficar na saudade e lembranças boas de cão fiel e muito companheiro. Foi um
guerreiro !!!! Amiga que Deus te conforte neste momento triste.