MINAS CONEXÃO | Anthony Fauci e a COVID-19: quando uma pandemia se transforma em um caso de Inteligência de Estado - Por: Jorge Bessa

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Anthony Fauci e a COVID-19: quando uma pandemia se transforma em um caso de Inteligência de Estado – Por: Jorge Bessa

Poucos episódios da história recente demonstram de forma tão clara a interseção entre ciência, política, inteligência e segurança nacional quanto a pandemia da COVID-19

Foto: Reprodução – Jorge Bessa no Programa do Jô

Por: Jorge Bessa

“Sabemos o que todos os brasileiros passaram por ocasião do quadro de medo, paranóia e perseguições a todo jornalista, médico ou pesquisador independente que discordasse da doutrina oficial imposta a toda população: um grande experimento de controle global de populações imposto pelos donos do poder mundial.

Pela importância do tema, escrevi, em dezembro de 2021, o livro Guerra Biológica: China e o Covid-19, onde mostrava que sua origem ainda era motivo de dúvidas: para alguns ela surgiu da natureza através de animais infectados em um mercado; para outros, vazou acidentalmente de um laboratório em Wuhan, onde se realizavam pesquisas que visavam à produção de uma arma biológica para os militares chineses.

Baseado em minhas pesquisas em fontes abertas, mostrava como doenças infecciosas novas e emergentes que se espalham rapidamente podiam ser usadas como uma arma de guerra cruel e barata, defendendo a hipótese de que esse novo vírus tivesse sido criado em laboratório da China, num projeto que uniu militares, virologistas e bacteriologistas para desenvolverem agentes biológicos capazes de matar milhões de pessoas e serem usados em armas biológicas. A Covid-19 podia ser uma dessas armas.

Durante anos, o debate público concentrou-se quase exclusivamente nos aspectos médicos da crise. Entretanto, à medida que documentos oficiais foram sendo divulgados, investigações parlamentares avançaram e órgãos de Inteligência passaram a revisar suas avaliações, tornou-se evidente que a pandemia extrapolou o campo da saúde pública e havia ingressado definitivamente no terreno da geopolítica e da Inteligência estratégica.

Nesse contexto, Anthony Fauci, durante décadas um dos principais nomes da saúde pública norte-americana, passou de referência científica mundial a personagem central de uma das mais intensas controvérsias políticas dos Estados Unidos.

Recentemente, Fauci voltou a depor perante o Senado americano. Ao ser questionado sobre diversos aspectos relacionados à condução da pandemia, ao financiamento de pesquisas envolvendo coronavírus e às relações com instituições científicas ligadas ao Instituto de Virologia de Wuhan, optou por invocar repetidamente a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, direito que protege qualquer cidadão contra a autoincriminação.

Juridicamente, trata-se de um direito constitucional. Politicamente, porém, sua decisão provocou enorme repercussão, sobretudo porque, durante a pandemia, Fauci havia afirmado diversas vezes que não tinha nada a esconder.

As investigações concentram-se principalmente em quatro grandes eixos.

O primeiro diz respeito ao financiamento de pesquisas conhecidas como “ganho de função”, destinadas a aumentar determinadas características de vírus para fins científicos. Parlamentares procuram esclarecer até que ponto recursos federais norte-americanos chegaram, direta ou indiretamente, ao Instituto de Virologia de Wuhan por intermédio da EcoHealth Alliance, a empresa que usou dinheiro dos contribuintes americanos para facilitar uma perigosa pesquisa de ganho de função em Wuhan, na China.

O segundo eixo envolve a transparência das informações prestadas ao Congresso. Alguns parlamentares sustentam que determinadas declarações feitas anteriormente podem não ter refletido integralmente os documentos posteriormente revelados. Essas alegações continuam sendo objeto de investigação.

O terceiro refere-se à gestão documental durante a pandemia. Registros internos, e-mails e anotações passaram a ser analisados em busca de eventuais divergências entre discussões privadas e posicionamentos públicos.

O quarto eixo envolve a própria origem da COVID-19. Durante os primeiros anos da pandemia, predominou a hipótese de transmissão natural. Posteriormente, diversos órgãos governamentais passaram a admitir que um acidente laboratorial representa uma possibilidade plausível. Ainda assim, não existe consenso definitivo dentro da própria comunidade científica, e as investigações permanecem abertas.

Independentemente do desfecho dessas investigações, um fato já parece incontestável: a pandemia revelou como ciência, Inteligência, diplomacia, economia, comunicação e segurança nacional tornaram-se dimensões inseparáveis.

As decisões tomadas em laboratórios repercutiram sobre mercados financeiros. Avaliações de Inteligência passaram a influenciar políticas sanitárias. Campanhas de informação e desinformação transformaram-se em instrumentos de disputa internacional. Plataformas digitais passaram a exercer papel estratégico na circulação – ou restrição – de informações.

A COVID-19 demonstrou que a inteligência do século XXI não se limita mais à espionagem tradicional nem ao emprego de agentes secretos. Ela envolve laboratórios, universidades, biotecnologia, redes sociais, inteligência artificial, comunicação estratégica, segurança cibernética e capacidade de moldar narrativas em escala global.

Nesse novo cenário, a disputa pelo controle da informação pode ser tão decisiva quanto o controle de territórios, e a capacidade de influenciar percepções pode produzir efeitos comparáveis aos de operações militares convencionais.

O caso Anthony Fauci, portanto, transcende a figura de um cientista ou de um gestor público. Ele tornou-se símbolo de um período em que ciência, política, Inteligência e geopolítica passaram a operar de forma profundamente interligada.

Ele mostra, também, como uma narrativa bem montada e bem dirigida se transformou em um exitoso projeto de censura e dominação que ainda está para ser bem conhecido e debatido no Brasil.”

*Jorge Bessa, analista de Inteligência e escritor.

José Aparecido Ribeiro é jornalista, editor e presidente da Ajoia Brasil

www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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