MINAS CONEXÃO | Belo Horizonte à deriva esperando por um colapso anunciado na mobilidade urbana, e ninguém se manifesta

Nosso site usa cookies para melhorar e personalizar sua experiência e exibir anúncios. Nosso site também pode incluir cookies de terceiros como Google Adsense, Google Analytics, Youtube. Ao utilizar o site, você concorda com o uso de cookies. Atualizamos nossa Política de Privacidade. Por favor clique no botão para verificar nossa Política de Privacidade.

Belo Horizonte à deriva esperando por um colapso anunciado na mobilidade urbana, e ninguém se manifesta

Obras paradas, trânsito caótico e decisões ineficazes, a cidade paga o preço de uma administração que insiste no improviso, cuja marca é a da mediocridade

Foto: Portal MC – Fernanda Altoé, João Vitor Xavier, Bráulio Lara, Marcela Trópia, Álvaro Damião e Astolfo José da Costa Junior

A degradação da mobilidade urbana em Belo Horizonte já não pode mais ser tratada como um problema estrutural herdado ou um desafio técnico complexo. Trata-se, hoje, de um retrato claro de incompetência administrativa e ausência de liderança. Sob a gestão do jornalista de esporte e prefeito Álvaro Damião, a capital mineira mergulhou em um cenário de desorganização que penaliza diariamente milhões de cidadãos.

Circular pela cidade deixou de ser rotina e passou a ser um exercício de desgaste físico e emocional, estresse constante em meio a deterioração que tomou conta da maioria das vias, com pisos irregulares e obras inexplicavelmente abandonadas. Um desafio que motoristas são submetidos por toda a cidade, um teste de habilidades para evitar os murundus, as crateras que se multiplicam, e  bocas de lobo soltas que fazem doer no bolso.

A falência da gestão do trânsito é evidente, e claro, inaceitável. Em uma metrópole do porte de Belo Horizonte, a ausência de sincronização semafórica beira o absurdo, significa estresse desnecessário para quem enfrenta o trânsito. Não há fluidez, não há lógica, não há planejamento. O que se vê é a atuação desastrosa da BHTrans, cuja política de contenção de tráfego mais atrapalha do que organiza.

Intervenções mal concebidas, retenções artificiais e decisões desconectadas da realidade transformam deslocamentos simples em trajetos intermináveis. O impacto vai além do tempo perdido: aumenta-se o consumo de combustível, amplia-se a poluição e intensifica-se o estresse, o maior combustível para o aumento de acidentes, justamente o oposto do discurso oficial. Não custa lembrar que veículo nenhum sobe em passeios para atropelar pedestres, e que portanto o argumento de que fluidez causa atropelamento é estapafúrdio, meramente ideológico.

Enquanto isso, os órgãos responsáveis pela infraestrutura seguem inertes ou perdidos. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (SUDECAP) e a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SUMOB) parecem incapazes de enfrentar os mais de 200 gargalos viários que estrangulam a cidade. A topografia da cidade grita por soluções fazendo coro com a população, mas eles seguem em um sono profundo, adiando o inevitável: As obras que não foram feitas nas últimas quatro décadas, terão que ser feitas, cedo ou tarde.

Com uma frota que ultrapassa 2,6 milhões de veículos, Belo Horizonte segue parada no tempo, sem qualquer resposta estruturante à altura do problema. Em vez de obras definitivas, recorre-se sistematicamente a soluções paliativas, o que se vê são remendos caros, ineficazes e de curto prazo, que apenas empurram o problema para frente enquanto agravam seus custos.

Mais preocupante ainda é o silêncio constrangedor de entidades que deveriam atuar como vozes críticas e indutoras de soluções. Instituições como SME, CREA, CODESE, FIEMG, Fecomércio, ACMinas, SICEPOT, SINDUSCON, CDL/BH e outras,  optam pela omissão, reforçando um ambiente de conivência que favorece a inércia. Sem falar da imprensa, que troca anúncios pelo silêncio ou pelo jornalismo de esporte, BBB e noticiário policial, desviando a atenção da arraia-miúda dos seus próprio martírios. É o triunfo da prejudicial política do “tapinha nas costas”.

Consolida-se, assim, um ciclo perverso: o poder público falha, as instituições se calam e a sociedade é deixada à própria sorte, arcando com os prejuízos de uma cidade que já não responde às suas próprias demandas. O resultado é uma capital refém de uma gestão que faz do improviso sua política pública e da mediocridade seu padrão operacional. São os mesmos decisores há 40 anos, fazendo mais do mesmo.

Belo Horizonte, que há décadas aguarda intervenções estruturais à altura de sua relevância, tornou-se símbolo de um fracasso administrativo que se acumula e se agrava. A conta já chegou tarde e está sendo paga, todos os dias, por quem enfrenta o trânsito, os atrasos e o abandono. A sensação que fica é a de que o prefeito, os vereadores e os presidentes da BHTrans, Sudecap e Sumob, não andam pela cidade.

Insisto, os problemas de Belo Horizonte, ligados à infraestrutura e mobilidade, não nasceram neste governo do jornalista de esporte Álvaro Damião, vêm de longa data, precisamente com a chegada de Patrus Ananias ao governo em 1992, que aparelhou a PBH permitindo que os “companheiros” tomassem a gestão pública municipal e fizessem dela a própria casa. Nenhum prefeito depois disso conseguiu ficar livre deste fantasma, e BH segue derretendo há 34 anos.

Até quando?

Foto de Capa: Reprodução – O Tempo – Prefeito Álvaro Damião

José Aparecido Ribeiro é jornalista e presidente da AJOIA Brasil, membro do Observatório da Mobilidade de BH e ex-presidente do Conselho de Política Urbana da ACMinas. Editor do Portal Minas Conexão.

www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

Fortalecendo o jornalismo independente, você está defendendo a democracia e enfraquecendo a militância do jornalismo chapa branca: Doe, compartilhe, anuncie e sugira pautas! 

3 Comments

  • Belo Horizonte-MG está decadente, abandonada, o retrato do Brasil, destruído pelo partido das trevas.

  • O jornalista foi cirúrgico ao apontar como a causa desse caos se deveu á essa praga devastadora chamada PT , que desde 1993 na figura caótica de Patrus Ananias , aparelhou a prefeitura com seus asseclas , que se enraizaram no poder e na sua nefasta política de tudo pelo social , abominaram todo e qualquer tipo de obras , que chamavam de faraônicas , viadutos , túneis e trincheiras , isso numa cidade de topografia favorável a essas obras e num traçado atrelado ao cubismo e que hoje colhe o resultado dessa escolha como projeto de capital . E seu trânsito coordenado por um órgão técnico como Bhtrans , hoje reduto de companheiros em abandono total de uma engenharia de tráfego. E a cidade “ dirigida “ por um simplório jornalista esportivo , que completamente perdido em sua administração, deve estar torcendo para que seu mandato que se iniciou nesse ano , passe logo , para ele passar esse lamentável legado deixado por uma fraudulenta eleição que se permitiu ser disputada por um cidadão em fase terminal em seu leito de morte , eleição em que ele perdeu em todas as sessões eleitorais no primeiro turno e venceu em todas as mesmas sessões no segundo , mesmo estando em fase terminal em seu leito de UTI . Eleição que a mídia sequer cogitou até de comentar a estranheza da reviravolta do voto popular . E depois dessa espetacular jogada política , herança do outro , que foi abocanhar para a Prefeitura o Anel Rodoviário do Gov Federal com todos os seus ônus e nenhum bônus . Que futuro fantástico espera nossa BH roça.

  • Infelizmente estamos a deriva!
    O único prefeito a não aderir a isenção dos juros dos absurdos dos iptu ,
    Mas provavelmente estava viajando ,
    O pior prefeito da história de Bhte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias relacionadas