Em 2025 foram R$9,64 bilhões em créditos no mercado de duas rodas e à busca por alternativas ao financiamento tradicional – O Portal MC conversou com Guilherme Lamounier da Multimarcas Consórcios

O consórcio vem conquistando espaço no mercado brasileiro de motocicletas e já pode estar por trás da aquisição de quase uma em cada três motos comercializadas no país. Impulsionada pela expansão do setor de duas rodas e pela busca dos consumidores por alternativas de compra planejada, a modalidade movimentou R$ 9,64 bilhões em créditos para motocicletas em 2025.
O valor é praticamente o dobro dos R$ 5,03 bilhões registrados em 2021, segundo dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (ABAC), e revela uma mudança importante no comportamento do consumidor. Mais do que um bem de consumo, a motocicleta tornou-se, para milhões de brasileiros, instrumento de mobilidade, trabalho e geração de renda.
Quase 30% do mercado
Os números de 2026 reforçam essa tendência. Entre janeiro e maio, as contemplações em consórcios disponibilizaram R$ 6,13 bilhões em créditos, com potencial para a aquisição de mais de 287 mil motocicletas.
No mesmo período, foram comercializadas 980.095 motos no mercado interno. Na comparação entre os dois números, os créditos disponibilizados pelas contemplações representam potencial equivalente a 29,4% das unidades vendidas — proporção próxima de uma motocicleta adquirida via consórcio para cada três comercializadas no país.
O dado não significa necessariamente que todas as cartas de crédito contempladas tenham sido imediatamente utilizadas na compra de motos novas, mas dimensiona a crescente participação do consórcio no setor.
Mercado de motos mantém ritmo acelerado
A expansão dos consórcios ocorre em um momento de forte crescimento do mercado brasileiro de duas rodas. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os licenciamentos de motocicletas entre janeiro e maio de 2026 avançaram 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A indústria também acelerou. Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) apontam crescimento de 10,1% na produção nacional nos cinco primeiros meses do ano.
Por trás dessa expansão está uma transformação no próprio papel desempenhado pela motocicleta na economia brasileira. Além de representar uma alternativa de transporte mais ágil e de menor custo para muitos consumidores, ela se consolidou como ferramenta de trabalho para entregadores, prestadores de serviços, pequenos empreendedores e profissionais que dependem do veículo para produzir renda.
“Isso é reflexo de uma mudança estrutural na forma como o brasileiro enxerga mobilidade e geração de renda. A moto deixou de ser um bem aspiracional e passou a ser uma ferramenta econômica, especialmente em um cenário de crédito mais restrito”, afirma Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios.
Consórcios chegam a 3,25 milhões de participantes
A adesão dos brasileiros à modalidade também aparece no crescimento da base de participantes. Em 2026, o segmento de motocicletas chegou a 3,25 milhões de consorciados ativos, expansão de 4,8%.
Entre janeiro e maio, a comercialização de novas cotas cresceu 8%, enquanto o volume de negócios relacionado aos consórcios de motocicletas registrou avanço de 12,2% na comparação anual.
O cenário ganha relevância diante das condições de crédito e da necessidade de o consumidor avaliar não apenas o preço da motocicleta, mas todo o custo envolvido em sua aquisição e manutenção. Combustível, seguro, impostos, licenciamento, manutenção e condições de pagamento pesam cada vez mais na decisão.
Diferentemente do financiamento, o consórcio não cobra juros sobre o saldo devedor, embora envolva custos próprios, como taxa de administração e, dependendo do contrato, fundo de reserva, seguros e outros encargos. Além disso, o acesso à carta de crédito depende da contemplação por sorteio ou lance, fator que exige planejamento de quem não pode esperar para adquirir o veículo.
Para Lamounier, a expansão da modalidade acompanha a importância econômica adquirida pelas motocicletas no país. “A motocicleta ocupa hoje um espaço estratégico na economia brasileira. Ela conecta o trabalhador à renda, o produtor ao cliente e o cidadão à cidade. Embora custos como ICMS, IPVA e outras taxas sejam inevitáveis, o consórcio permite uma compra sem juros de financiamento, possibilitando que o consumidor conquiste o bem de forma gradual e planejada”, conclui.
Com quase um milhão de motocicletas comercializadas apenas nos cinco primeiros meses de 2026 e milhões de brasileiros participando de grupos de consórcio, os números indicam que a modalidade deixou de ocupar um papel secundário. Em um país no qual a moto está cada vez mais associada não apenas ao transporte, mas também ao trabalho e à renda, o consórcio avança como uma das alternativas para colocar mais brasileiros sobre duas rodas.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Ex-presidente da ABIH-MG e da Abrajet-MG. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
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