MINAS CONEXÃO | Foi a Leoa ou o Estado? O caso do vaqueirinho retrata a falência do estado e da sociedade brasileira – Por: Mário Plaka

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Foi a Leoa ou o Estado? O caso do vaqueirinho retrata a falência do estado e da sociedade brasileira – Por: Mário Plaka

Ao não acolher doentes com transtornos psiquiátricos em hospitais equipados para este fim, o estado comete erro fatal, que é tolerado pela sociedade sob o argumento falacioso da “inclusão social”

Por: Mário Plaka – Jornalista e membro da AJOIA Brasil

“Quando vi a notícia daquele jovem que entrou na jaula dos leões — e ali havia uma leoa, animal que todos sabem ser ainda mais feroz do que o macho — minha primeira reação foi clara: aquele rapaz precisava de tratamento psiquiátrico urgente.

O que aconteceu ali não foi ousadia, não foi vandalismo e tampouco foi “vagabundagem”, como muitos na internet, de forma cruel e ignorante, repetiram. O que houve foi negligência do Estado. Negligência contínua. Negligência histórica. Negligência que mata.

E digo isso com propriedade. Fui coordenador de central de ambulâncias, inclusive atendendo o TFD — Tratamento Fora de Domicílio. Atendemos durante anos pessoas com transtornos mentais gravíssimos, que necessitavam de clínicas especializadas, acompanhamento permanente, repouso, reclusão terapêutica.

Mas aí veio o discurso fácil da “inclusão social” ditada pelos globalistas, sustentada pela elite política que vive em gabinetes refrigerados. Eles decretaram que pessoas com transtornos mentais devem ser tratadas dentro das casas das famílias. Só esqueceram de avisar que as famílias brasileiras não são clínicas psiquiátricas, não têm estrutura, não têm preparo e muito menos têm apoio do governo.

E quem criou essas políticas? Gente que não sabe o que é viver o cotidiano de um cidadão pobre, sem recursos, num país onde quem paga imposto não recebe sequer o básico de dignidade pública. São deputados, senadores, ministros e autoridades que recebem tratamento VIP.

Enquanto isso, até criminosos — repito, criminosos — têm prioridade de atendimento em hospitais e postos de saúde quando chegam escoltados. O trabalhador, que esperou horas por atendimento, simplesmente é empurrado para o fim da fila. Esse é o “Brasil justo” que eles criaram.

Pois essa tragédia do vaqueirinho em João Pessoa deveria ser um marco, um ponto de ruptura, um grito nacional: Por que destruíram os manicômios? Por que fecharam as clínicas especializadas para transtornos mentais graves? Quem decidiu que pessoas tão vulneráveis seriam largadas nas ruas?

E não é caso isolado. Recentemente, aqui mesmo na minha cidade, tive que intervir — e duramente — sobre um rapaz em estado de abandono absoluto. Defecava nas próprias roupas, estava tomado por parasitas, fedia, entrava em lojas, ameaçava pessoas.

Me responderam com a mesma ladainha: “temos CAPS, temos psicólogo, temos acompanhamento”. Não, não têm. Isso é mentira institucionalizada. Há pessoas que precisam de internação especializada, de estrutura que o Estado desmantelou por completo.

E aí vem o caso do vaqueirinho. E por trás dos 15 ou 20 segundos do vídeo que o povo acha “engraçado”, havia 19 anos de dor profunda, abandono, miséria e doença mental evidente.
Segundo informações, a polícia alertou mais de dez vezes ao longo dos anos que ele precisava de tratamento psiquiátrico urgente. Nada foi feito. Nada. Absolutamente nada.

Vaqueirinho foi retirado de casa ainda criança. A mãe sofria de esquizofrenia.
Os avós tinham transtornos graves. Ele e mais quatro irmãos viviam na extrema pobreza. Os quatro irmãos foram adotados. Ele, não. Ele foi abandonado pelo Estado, pela assistência social, por tudo e por todos.

Ele acreditava que domava leões.

Na mente dele, isso era real. Chegou a invadir um aeroporto e tentar subir no trem de pouso de um avião achando que viajaria até eles. Você imagina o nível de ruptura mental para alguém fazer isso? Não era escolha. Não era “vagabundagem”. Era doença. Doença grave. Doença ignorada.

E a internet? A internet adorava rir dele. Viralizavam as “loucuras”. Viralizaram sua morte. Mas ninguém viralizou a verdade: que ele foi vítima de uma omissão criminosa do Estado brasileiro.

E aí está o ponto que precisa entrar definitivamente no debate público: Essa morte está nas mãos de políticos negligentes, de ministros omissos, de secretarias de saúde incompetentes, de um sistema que finge funcionar.

O que levaria um jovem a entrar na jaula de uma leoa? Não foi coragem. Não foi ignorância. Foi abandono estatal.

E o povo precisa acordar. Precisamos exigir que o Brasil deixe de ser laboratório de ideologia barata e volte a ser um país que protege seus vulneráveis. Precisamos de líderes capazes, que sintam a dor do povo, e não de carreiristas que discutem o “sexo dos anjos” em gabinetes luxuosos. Cada vida perdida por negligência estatal é uma acusação moral contra quem governa.

O caso do vaqueirinho não é tragédia isolada. É retrato de um país que virou as costas para os mais fracos.

Chegou a hora de o povo se levantar, exigir responsabilidade, exigir políticas reais, exigir tratamento digno a quem precisa. Porque quando o Estado abandona um, abandona todos. E um país que abandona seus doentes está condenado a adoecer junto.”

Mário Plaka é jornalista independente filiado a AJOIA Brasil

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor

www.minasconexao.com.brjaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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1 Comment

  • Esta matéria parece que foi tirada de dentro de minha cabeça. É IRRETOCÁVEL todo o texto. É UMA VERGONHA O FAZ DE CONTA DO TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO no Brasil dos pobres. Só quem tem um psicótico em casa, sabe o que é este inferno de vida. Sou Médica e vejo constantes reclamações de meus pacientes sobre este absurdo.

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