Estudado pela ciência política e conhecido como bandwagon effect (efeito manada), descreve a tendência de eleitores apoiarem quem aparenta estar à frente, enquanto outros podem simplesmente desistir de votar

Por: José Aparecido Ribeiro – Jornalista e presidente da Ajoia Brasil
Vivemos uma época em que a disputa política deixou de acontecer apenas nas ruas, como era antigamente nos palanques. Hoje, ela ocorre, sobretudo, no campo da informação. Para um observador atento, o alinhamento da imprensa, dos institutos de pesquisa e do governo é escandaloso, salta ao olhos.
Quem controla a narrativa possui uma poderosa ferramenta de influência sobre a opinião pública, especialmente em um país onde milhões de cidadãos ainda depositam absoluta confiança naquilo que assistem nos grandes telejornais ou leem nos principais veículos de comunicação. Existe, apesar dos deslizes da imprensa, uma confiança tácita entre o público e o jornalista.
O que até poucos dias era propaganda estatal por meios das empresas públicas anunciando desmedidamente nos intervalos dos telejornais, hoje passou para dentro deles através de notícias boas sobre feitos que remetem ao “bom governo”, sutilmente, entre uma e outra notícias.
A propaganda oficial é restringida pela legislação, então é hora de aumentar a divulgação de indicadores econômicos, sociais e administrativos fartamente divulgados de forma sutil. Taxas de emprego, inflação, crescimento econômico, confiança do consumidor, redução de queimadas e diversos outros índices de repente passaram a ocupar espaço privilegiado nos noticiários.
Todo mundo sabe que são dados altamente suspeitos, sobretudo os que são divulgados pelo IBGE e outros institutos ligados ao governo, dirigidos por petistas. A seleção, frequência e forma de apresentação influenciam a percepção do eleitor sobre o momento político vivido pelo país, configurando propaganda eleitoral antecipada, e pior, manipulada.
A comunicação nunca é neutra. A escolha do que vira manchete e do que permanece invisível também comunica, trabalho minucioso dos gates keepers. Quando determinados indicadores recebem destaque enquanto outros problemas enfrentados pela população recebem menor atenção, cria-se uma narrativa capaz de moldar percepções, sem que o cidadão comum perceba esse processo.
Outro elemento que merece reflexão é o papel das pesquisas eleitorais. Embora sejam instrumentos para medir tendências de determinado momento, elas não constituem previsões definitivas nem substituem a vontade popular expressa nas urnas. São sempre apresentadas com linguagem semântica para causar no eleitor a impressão de que são confiáveis e representam a realidade, o que não é verdade.
Não é por acaso que são anunciadas por ancoras dos diversos telejornais que começam falando de margem de erro e índices de confiança, o que já deveria ter sido proibido há décadas, pois exercem sim influencia sobre o eleitor menos esclarecidos e com déficits cognitivos, educacionais e até nutricionais que baixam a capacidade de julgamento de parcela significativa dos brasileiros.
O voto do indivíduo que possui consciência crítica, é educado e capaz de fazer bom juízo da realidade é igual ao daquele que pode ser facilmente manipulado, que não teve acesso à educação e tem limitações. Basta ver o efeito das bets (jogos online) nas populações menos favorecidas que estão enterradas em dividas e graves problemas familiares, psíquicos e legais por causa do vício.
Pesquisas são retratos temporários, sujeitos às limitações inerentes à metodologia utilizada, às mudanças de opinião do eleitorado e aos desafios de representar uma população extremamente diversa. Porém, elas influenciam parcela do eleitorado menos informado e sujeito a interferências externas, sobretudo quando ouvem que “a margem de erro é pequena e o índice de confiança é alto”.
A expressões “alto grau de confiança”, “margem de erro reduzida” e “cenário consolidado” confunde a cabeça desse eleitor menos esclarecido. A forma como essas informações são apresentadas, faz o eleitorado interpretar que a eleição já está decidida antes mesmo da votação.
Esse fenômeno, amplamente estudado na ciência política e conhecido como bandwagon effect (efeito manada), descreve a tendência desses eleitores de apoiarem quem aparenta estar à frente, enquanto outros podem simplesmente desistir de votar por acreditarem que o resultado já está definido.
Esse não é um debate novo, alguns países estabelecem períodos de restrição justamente para reduzir os impactos sobre a decisão final do eleitor. O objetivo não é impedir a circulação de informações, mas preservar a liberdade de escolha até o momento do voto. Com efeito, não custa lembrar que institutos de pesquisa são empresas privadas ou organizações especializadas que prestam um serviço técnico, sujeitos a erros e até a cederem pressões econômicas.
Como qualquer atividade dessa natureza, devem estar submetidos à máxima transparência metodológica, fiscalização rigorosa e responsabilização quando houver irregularidades comprovadas. A credibilidade de uma pesquisa depende não apenas dos números apresentados, mas da clareza sobre como eles foram produzidos.
Da mesma forma, a imprensa exerce papel indispensável em uma democracia livre. Justamente por sua importância, espera-se dela compromisso permanente com pluralidade, equilíbrio e espírito crítico. O jornalismo fortalece a democracia quando informa de maneira completa, contextualizada e aberta ao contraditório. E o que estamos assistindo não é papel do jornalismo, mas da assessoria de imprensa de partidos, sujeitos às regras do jogo eleitoral.
Quando parte significativa da sociedade passa a desconfiar da imparcialidade da informação, instala-se uma crise de confiança que enfraquece tanto as instituições quanto o próprio debate público. O eleitor brasileiro merece formar sua convicção a partir de informações amplas, transparentes e diversas, sem a sensação de que exista um resultado previamente construído pela força das narrativas ou pela repetição de determinados discursos.
A democracia não pertence aos governos, aos partidos, aos institutos de pesquisa ou aos veículos de comunicação. Ela pertence ao cidadão e precisa haver coerência entre os que pregam e o que fazem. Não está havendo essa coerência se observarmos o comportamento de parcela expressiva dos veículos de comunicação e de seus jornalistas que se prestam a executar tais procedimentos.
Preservar essa igualdade exige vigilância permanente, transparência institucional e respeito absoluto à liberdade de consciência do eleitor. Em uma República verdadeiramente democrática, o convencimento deve nascer do debate de ideias, e jamais da percepção de que o resultado já foi previamente escrito.
José Aparecido Ribeiro é jornalista, editor e presidente da Ajoia Brasil
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Parabenizo o pelo texto! Que podemos fazer para evitar uma eleição fraudulenta?
O BRASIL É O ÚNICO PAÍS DO
MUNDO QUE NÃO EXISTE COMO
PROVAR NADA, NEM PRA QUEM GANHOU E NEM PRA QUEM PERDEU POIS NÃO TEMOS
VOTOS MATERIALIZADOS ISSO POR
SI SÓ É A GRANDE FR@UD€ E ISSO
ACONTECE AQUI DESDE 1996, VIOLANDO OS
ARTIGOS DA CF 14- DA SOBERANIA
POPULAR E 37- DA PUBLICIDADE
QUE DEVE ACOMPANHAR TODO O
ATO DO SERVIÇO PÚBLICO! NÃO
EXISTE VOTO PURAMENTE
ELETRÔNICO EM DEMOCRACIAS- É
PRECISO QUE PARLAMENTARES
EM BRASÍLIA PAUTEM , VOTEM E
APROVEM O PL- 943/2022 QUE
ESTÁ APENSADO AO PL 1169/2025-
CONTAGEM PÚBLICA DOS VOTOS
MATERIALIZADOS JÁÁÁÁ E DÁ
TEMPO PARA JÁ SER USADO EM
2026, POIS EM NADA INTERFERE NO PRINCÍPIO DA ANUALIDADE, BASTA BOA VONTADE!