O prazo excessivo, e os impacto no trânsito vão provocar um prejuízo estimado de quase R$2 Bi

O desperdício de recursos públicos em uma obra viária em execução no vetor Norte de Belo Horizonte, em frente ao Shopping Estação e a Catedral Metropolitana está provocando uma reação crescente entre especialistas e usuários que circulam pela região.
Embora o custo direto do projeto seja de aproximadamente R$ 180 milhões, estimativas técnicas indicam que o impacto total para a sociedade pode se aproximar de R$ 2 bilhões. O motivo é o prazo de execução considerado excessivo: 1.050 dias de transtornos gigantescos.
Para especialistas, esse tempo amplia drasticamente os prejuízos indiretos, especialmente os causados pelos congestionamentos e pela perda de produtividade. O custo invisível que multiplica a conta, ao final, em mais de 5 vezes.
O principal fator de impacto está no chamado “custo do atraso no trânsito”, que não aparece no contrato da obra, mas pesa diariamente no bolso da população. Na Avenida Cristiano Machado, uma das principais vias da cidade, cerca de 35 mil veículos circulam por dia. Com as intervenções, aproximadamente 70% enfrentam atrasos médios de 15 minutos.
O Portal MC conversou com o engenheiro civil Luiz Edmundo F. Ribeiro sobre os impactos da obras no bolso dos pagadores de impostos de Belo Horizonte e o resultado é estarrecedor: “Por dia serão nada menos do que R$ 1,1 milhão de prejuízos. O que significa R$ 33 milhões por mês, e quase R$ 400 milhões por ano. Ao longo do prazo total da obra, o impacto acumulado ultrapassa R$ 1,3 bilhão, valor muito superior ao custo original do projeto que é de R$180 milhões,” alerta o especialista que tem mais de 50 anos de profissão sendo responsável técnico por grandes obras realizadas em vários países, não só no Brasil.
Além do prejuízo econômico, há efeitos indiretos preocupantes, como o atraso no deslocamento de ambulâncias e serviços de emergência, comprometendo o atendimentos hospitalares.
O prazo de três anos é considerado injustificável
O cronograma da obra é um dos pontos mais criticados. O especialista afirma que intervenções desse porte poderiam ser concluídas em cerca de 450 dias, caso fossem adotadas práticas modernas de engenharia. Entre os principais problemas apontados:
- Falta de operação em regime contínuo (24 horas);
- Baixo uso de estruturas pré-fabricadas
- Interferência excessiva no tráfego; Planejamento considerado inadequado.
Para o engenheiro, o modelo atual prolonga o transtorno e eleva exponencialmente o custo social da obra: “Alternativa mais rápida e barata foi ignorada e um estudo técnico independente precisa ser feito imediatamente, enquanto há tempo de mudar o modelo escolhido que é inadequado para o local,” alerta o engenheiro Luiz Edmundo.

Ele destaca ainda que a construção de túneis subterrâneos, com execução praticamente sem impacto no trânsito, pode ser a solução correta e mais barata, sem os prejuízos que o projeto atual está causando para todo o vetor norte da capital, incluindo o Aeroporto Internacional. Os números chamam atenção:
- Modelo atual (trincheira): Prazo: até 1.080 dias. Custo total estimado: até R$ 1,94 bilhão. A obra está praticamente parada.
- Modelo alternativo (túneis). Prazo: cerca de 480 dias; Custo total estimado: aproximadamente R$ 300 milhões.
A diferença levanta questionamentos sobre os critérios adotados na escolha do projeto. Comparações aumentam pressão. Obras de grande porte realizadas no país reforçam as críticas ao cronograma atual:
- Sambódromo do Rio: construído em 4 meses.
- Elevado Costa e Silva (Minhocão), em São Paulo: 14 meses.
Diante desses exemplos, o especialista classifica o prazo da obra em Belo Horizonte como desproporcional.
Falta de transparência levanta dúvidas
A ausência de informações detalhadas sobre os critérios técnicos adotados no projeto tem intensificado as cobranças por transparência. O especialista defende que o poder público apresente:

Estudos comparativos de alternativas; Justificativas para o prazo adotado; Avaliação do impacto econômico no trânsito. Sem esses dados, cresce a suspeita de falhas graves de planejamento, ou até de desperdício de recursos públicos.
Sociedade paga a conta
Enquanto o debate técnico se intensifica, os efeitos já são sentidos no dia a dia. Motoristas enfrentam congestionamentos constantes, comerciantes relatam queda no movimento e trabalhadores acumulam perdas de tempo e renda. A conexão de Belo Horizonte cos os municípios que compõem o colar metropolitano pelo vetor norte está levando em média 2 horas, inviabilizando a mobilidade na região.
O setor de hotelaria contabiliza prejuízos em virtude da perda de eventos que trazem hospedagens para a capital. Organizadores de eventos nacionais que visitam a cidade, voltam determinados a mudar a sede dos congressos e feiras que seriam realizados em BH por causa do prazo de deslocamento do aeroporto para a Zona Sul. O alerta é da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, seção Minas Gerais.
A conclusão do especialista é direta e contundente: “quando o impacto no trânsito não é considerado no planejamento, obras públicas podem deixar de ser solução e se tornar um problema bilionário, que via de regra vai parar no bolso dos munícipes”, encerrou o experiente engenheiro civil Luiz Edmundo F. Ribeiro.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
www.minasconexao.com.br – www.ajoiabtasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com
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