O que está acontecendo com a TV Cultura que pertence ao povo de São Paulo, mas vem fazendo na prática assessoria de imprensa para o governo federal?

É cada vez mais difícil assistir ao Jornal da Cultura sem perceber um evidente desequilíbrio editorial. O problema não é ter comentaristas de esquerda, todos, SEM EXCEÇÕES. O problema surge quando praticamente todas as vozes caminham na mesma direção ideológica, transformando aquilo que deveria ser um espaço de debate plural em uma espécie de câmara de eco.
A TV Cultura ocupa uma posição diferenciada no cenário da comunicação brasileira. Mantida pela Fundação Padre Anchieta, que recebe recursos públicos do Estado de São Paulo, a emissora carrega uma responsabilidade ainda maior de preservar o pluralismo, a imparcialidade e o compromisso com a diversidade de opiniões. O telespectador não financia uma emissora pública para assistir a um único ponto de vista sendo repetido diariamente.
Todos os convidados da bancada do Jornal da Cultura, repetem mantras da esquerda e isso não é honesto. O jornalismo existe para informar, contextualizar e promover o contraditório. Quando o contraditório desaparece, sobra apenas a narrativa. E narrativa sem contraponto não é jornalismo em sua plenitude; é ativismo político travestido de análise. Inaceitável em se tratando de uma emissora do povo de São Paulo com programação que atinge todo o Brasil.
O que se vê com frequência é um alinhamento quase automático entre apresentadores, comentaristas e entrevistados em torno das mesmas interpretações dos fatos políticos, nacionais e internacionais. A divergência, quando aparece, é tímida, protocolar e insuficiente para representar a pluralidade existente na sociedade brasileira e mundial. O resultado é previsível: parte significativa da audiência deixa de enxergar credibilidade e passa a constatar militância partidária, inaceitável em redações compostas por jornalistas.
O mais preocupante é a aparente incapacidade de autocrítica e o silêncio do governo paulista. Em um momento de profunda crise de confiança da imprensa, insistir em fórmulas ideologicamente homogêneas representa um desserviço à própria atividade jornalística. A sociedade não espera unanimidade dos jornalistas; espera honestidade intelectual, equilíbrio e disposição para ouvir opiniões divergentes.
Nenhum profissional sério da comunicação deveria se sentir confortável em trabalhar em um ambiente onde determinadas visões de mundo são constantemente privilegiadas enquanto outras são tratadas com desconfiança ou simplesmente ignoradas. O jornalismo não pode se transformar em instrumento de confirmação de crenças políticas e ideologias.
Como jornalista, presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes – Ajoia Brasil, considero um dever defender os princípios deontológicos da profissão: independência, pluralidade, equilíbrio, apuração rigorosa e respeito ao público. O telespectador merece ser tratado como cidadão capaz de formar sua própria opinião, e não como alguém que precisa receber diariamente uma interpretação única dos acontecimentos.
Ainda há tempo para corrigir a rota. A solução é simples: mais diversidade de opiniões, mais contraditório, mais debate qualificado e menos alinhamento ideológico. A TV Cultura já foi referência de excelência e credibilidade. Para continuar honrando essa tradição, precisa escolher entre fazer jornalismo ou fazer militância. As duas coisas não são a mesma e o que está acontecendo não tem como mais ser negado: está ficando impossível assistir este telejornal diário que entra na casa de milhões de brasileiros, sem notar que ele carrega mensagens ideológicas e propósitos partidários.
José Aparecido Ribeiro é jornalista, editor e presidente da Ajoia Brasil
www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945
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