MINAS CONEXÃO | Agência cria nova marca turística para BH e desperta uma pergunta: O que vem primeiro, o ovo ou a galinha

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Agência cria nova marca turística para BH e desperta uma pergunta: O que vem primeiro, o ovo ou a galinha

“Te encontro em BH” não é novidade para a juventude prateada, e revela equívocos recorrentes no turismo da capital

A capital mineira tem problemas estruturais gravíssimos que impactam o turismo, mas resolveu lançar uma nova marca turística, criada pela agência Lápis Raro. Se ainda não descobriram quem vem primeiro se é o ovo ou a galinha, porque esperar a organização da sala para receber o turista, é só entrar com ele pela porta da cozinha de olhos vendados, e tudo bem, pelo menos é assim que pensam os gestores municipais.

O projeto da Lapis Raro não é novidade, já foi testado várias vezes em várias gestões passadas, tanto pelo poder público como pela iniciativa privada, com nomes diferentes: “BH Vai Até Você”, cópia do “Rio é de Vocês”; “Eu Amo BH Radicalmente”, cópia do “BH Vai Até Você”. Ou seja, de novo o “Te Encontro em BH” não traz novidades, mas é bem-vindo, talvez faça os gestores públicos acordarem para a feiura de BH que o turista enxerga, e nós, não mais.

O que muda da década de 90 do século passado para hoje é que a cidade ficou mais suja e mal cuidada, tem mais carro do que gente, e parou no tempo, está completamente abandonada nos quesitos limpeza, organização e fluidez. Em relação ao turismo, salta aos olhos o entorno dos seus principais atrativos turísticos, que se multiplicaram, mas padecem do mesmo mal, o descaso com a estética, e a desconexão de quem divulga o turismo com a realidade factual. A sensação é que não circulam pela cidade. Ou se fazem, devem estar no whatsapp o tempo todo.

Outra justificativa está relacionada a faixa etária de quem cuida das campanhas, uma juventude que, muito provavelmente, não era nascida quando as campanhas para divulgar BH partiam de instituições como BH Visitours & Convention Bureau, hoje Casa do Turismo com os mesmos atores e propósitos, e dirigido pelas mesmas pessoas. Associação de Profissionais de Hotelaria, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis e outras que batiam cabeça achando que sem organização, o turismo prospera. Nesta época BH era conhecida como cidade dormitório, mas era pelo menos limpa e bem cuidada. Não havia 15 mil moradores em situação de rua e um apagão de infraestrutura de 50 anos. Não existe um único monumento que não esteja pichado e abandonado.

O que diferencia o turismo que dá certo com o turismo que não vinga, são os detalhes. Turismo é feito de detalhes. Ninguém visita cidade mal cuidadas, sujas e com aberrações estéticas como as que nos deparamos hoje na capital mineira. O turista até pode nos visitar, mas não volta e é exatamente o que está acontecendo com BH.  Quando nos deparamos com as calçadas cheias de buracos e sujas, os canteiros centrais das avenidas tomados pelo mato, fiação aérea sem manutenção, as pichações, o transporte público precário, a loucura dos motoqueiros no trânsito, os flanelinhas, com a Praça da Rodoviária e seu entorno, portão de entrada da cidade nas condições que estão, é difícil acreditar que algum agente público esteve ali e tenha coragem de fazer campanha para atrair turistas.

Exemplos como os da Av. Cristiano Machado; a feiura da Av. Amazonas em toda a sua extensão; o caos no trânsito a qualquer hora do dia ou da noite, a sujeira no entorno do Mercado Central, Praça Raul Soares e Mercado Novo; o desleixo entorno do Minascentro, a desorganização e o abandono do entorno da Lagoa da Pampulha, com destaque para as imediações da Igrejinha de São Francisco de Assis, onde estacionar é um pesadelo e o assédio é irritante até para um monge, realmente nada disso combina com turismo.

Isso sem falar da mendicância que espanta até o morador de BH, da Savassi; o hipercentro da capital que mais parece uma terra arrasada, uma latrina a céu aberto, onde o turista precisa desviar de excrementos humanos em plena Praça Sete; o Mirante das Mangabeiras com limitações de acesso e tomado por ambulantes que assediam moradores e os turistas. E por que não dizer da Praça da Liberdade que cambaleia, com a falta de segurança e sujeira no entorno. Por falar nisso, quem se lembra da última vez que a Praça do Papa esteve aberta à visitação?

Pergunto aos jovens responsáveis pelas campanha da PBH, você visitariam uma cidade maltrapilha como BH? Se a ideia é apresentar Belo Horizonte para o mundo como um destino contemporâneo, hospitaleiro e vibrante, convenhamos, é preciso pelo menos organizar a casa ou maquiá-la. Do jeito que está, vou ficar pensando que vocês estão apenas enchendo linguiça para justificar as verbas portentosas que a agência amealha por ser detentora da conta de publicidade da Prefeitura. Vamos circular pela cidade e divulgar para o prefeito e seu secretariado o que eles precisam fazer antes de divulgar BH como destino turístico? Eu topo!

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor

www.minasconexao.com.brjaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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