Motoqueiros não estão mais sujeitos ao Código de Trânsito no Brasil, pelo menos é isso o que acontece na prática

Moro em local sossegado na capital mineira, próximo ao Mosteiro de São Bento, região cercada por mata que me permite desfrutar do “barulho” dos pássaros, e, diariamente às 7h e às 16h50, o badalar dos sinos do Mosteiro. Sons que entram nos meus ouvidos como músicas clássicas, em alta frequência me reconectando com a natureza e com a nossa antropologia.
Mas hoje fui acordado por outro som, pouco comum na região, haja visto o sossego que nos cerca: uma moto sem escapamento que parecia uma charanga atravessou o bairro em alta velocidade. Muito provavelmente um entregador que sofre de surdez e insensatez, e que acordou centenas ou talvez milhares de pessoas por onde passou acelerando a sua máquina do demônio.
O que me chama atenção não é o que este infeliz provoca, ele é como animais domesticados que não raciocinam e não sabem o que significa cidadania, civilidade ou algo que o valha, mas a omissão da Polícia Militar, do prefeito, e de todos os responsáveis por órgãos de trânsito que têm o dever de fiscalizar os veículos, incluindo as motocicletas, principalmente as barulhentas para que elas sejam rebocadas e incineradas, se possível.
O motoqueiros insensatos são milhares pelas cidades brasileiras, andam livres, leves e soltos, sem que ninguém faça alguma coisa para detê-los. O Código de Trânsito é letra morta para essa espécie no Brasil. E aqui faço uma diferenciação necessária entre motoqueiro e Motociclista. Duas categorias completamente diferentes, que usam a mesma máquina.
O primeiro é um animal irracional pilotando uma máquina mortífera, via de regra irregular, sem qualquer vestígio de civilidade no comportamento coletivo e na condução da maquina. Basta ver o que eles fazem no trânsito andando como se fossem donos das ruas, sem limites e nem amor pela própria vida, que dirá a dos pedestres e motoristas que precisam dividir espaço com eles em vias saturadas.
Saúde física e mental em risco pela ação de motoqueiros
O assunto pode parecer insignificante, mas afeta a saúde mental e física de quem precisa se deslocar pelas cidades. O prazer de dirigir já não existe mais, sobretudo em lugares onde os entregadores de aplicativos atuam quase sempre de forma beligerante, e repito, sem limites. A sensação é de que eles sempre estão atrasados e que isso lhes dá salvo conduto para passar por cima de quem estiver na frente.
Eles cortam pela direita e pela esquerda, de um lado para o outro em fração de segundos, avançam os sinais, sobem nos passeios, usam ciclovias, e costuram entre os veículos, eventualmente levando com eles os retrovisores de quem estiver na frente. Alguns usam os pés para arrancar retrovisores caros, e nada, absolutamente nada acontece com estes animais. Eles não respeitam ninguém.
Dirigir em Belo Horizonte de uns tempos para cá virou pesadelo, primeiro pela falta de fluidez, quantidade de sinais sem sincronia, ausência do poder público na infraestrutura defasada de um cidade que possui mais veículos do que pessoas (2.570.000 veículos e 2.300.000 pessoas), sem contar a frota flutuante, circulando numa cidade parada no tempo e governada por incompetentes, salvo raras e honrosas exceções. E ai de você se esbarrar em um deles…
Após ser acordado pelo “FDP” que não tem mais tímpanos, às 6h30, abri o whatsapp e me deparei com a mensagem de uma colega, também jornalista que conhece o mundo um pouco mais do que eu, e que está de passagem no Brasil. Veja o que ela acabara de escrever no grupo de jornalistas independentes da AJOIA Brasil:
“Das minhas andanças pelo mundo, dos lugares que morei e passei, e não foram poucos, o Brasil é o único lugar onde as pessoas não respeitam o direito ao silêncio do outro. É absolutamente INACEITÁVEL como o brasileiro, de modo geral, é barulhento, incluindo as famigeradas motocicletas.
Chamo isso de ‘estupro auditivo’, no sentido de que não há defesa. É falta de civilidade sair com o som do carro ligado no último volume, acelerando motos sem miolo nos escapamentos achando que está impressionando, ou por que está fazendo entregas e trabalhando pode acordar as pessoas altas horas da madrugada.
Fala sério! As autoridades deveriam parar de prevaricar, trabalhar, impor multas e penalidades para esse tipo de situação. Pagamos impostos também para ter paz social, e os responsáveis pela ordem pública parecem cegos, surdos e mudos, não fazem nada em defesa do povo refém de barulhos ensurdecedores. Desculpem, mas eu vou falar: os brasileiros são reconhecidos de longe em outros países por serem barulhentos e arruaceiros.
Falam alto, chamam atenção. Isso é feio. Não consigo mais me acostumar quando estou aqui. E as festas? As pessoas colocam a música no último volume e, para interagirem, têm que falar mais alto que a música. Estive em uma destas outro dia. É literalmente insano. Não consigo ficar muito tempo em ambientes assim. Não está mais na minha natureza. Isso sem falar dos motoqueiros que parecem formigas atômicas, sem nenhum vestígio civilidade ou de respeito mínimo pelas leis de trânsito, é uma desordem total.
Aliás, ainda existe Código de Transito e fiscalização de trânsito no Brasil?”
*Arilda MacClive é brasileira com cidadania Americana e Italiana. Jornalista afiliada da AJOIA Brasil.
Se você chegou aqui, saiba que não somos os únicos vítimas desta loucura coletiva e omissão das autoridades. Passe para frente essa mensagem e cobre do prefeito, vereador e comandantes responsáveis pela fiscalização de motoqueiros sem limites.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
Presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes – AJOIA Brasil
www.minasconexao.com.br – jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp: 31-99953-7945
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Texto objetivo, claro e real…..parabens@
Parabéns pelo texto prezado J Aparecido . Ate que enfim alguém da mídia reflete exatamente o que restou de BH . Destruída pela militância de esquerda que domina essa cidade desde 1993 . A capital mais atrasada do país .
Cidade morta, abandonada à própria sina. Governantes vendidos ou comprados, o que for melhor. Triste horizonte de medíocres.