O Artigo é de um médico indignado, que não se cala diante do arbítrio instalado no Brasil, camuflagem de democracia

“Sou médico e escrevo hoje não movido por vaidade, corporativismo ou nostalgia barata, mas por indignação ética.
Poucos sabem ou poucos ainda se importam por que os médicos tradicionalmente se vestem de branco. Não é moda. Não é vaidade. O branco sempre representou limpeza moral, transparência, honra e respeito. Um compromisso visível de que aquele que o veste não deve carregar manchas nem nas mãos, nem na consciência.
Houve um tempo em que a presença de um médico em uma residência era quase cerimonial. Não por soberba do profissional, mas pelo valor social atribuído ao saber médico. O médico era recebido com respeito porque trazia consigo algo raro: conhecimento a serviço da vida, prudência diante do sofrimento humano e responsabilidade sobre decisões irreversíveis.
Lavava-se as mãos não apenas por higiene, mas como rito simbólico: separar o mundo profano do espaço do cuidado. A pequena toalha branca oferecida não era luxo era reconhecimento da dignidade daquele ofício.
Esse tempo não acabou por falhas da Medicina. Acabou porque retiraram do médico o direito de exercer a Medicina. Vivemos hoje uma inversão perversa: o saber técnico passou a ser subordinado ao poder político-jurídico. A ciência passou a pedir licença. A ética passou a ser relativizada por decisões que ignoram décadas de formação, protocolos, evidências e responsabilidade profissional.
O Conselho Federal de Medicina, instituição criada para zelar pela boa prática médica e pela segurança do paciente, foi tratado não como guardião da ética, mas como um entrave a ser neutralizado. Seu papel foi esvaziado. Sua autoridade, desconsiderada. Sua função, ridicularizada.
O recado simbólico foi claro quase ofensivo: “Vocês são pequenos. Calem-se.”
Quando o Supremo Tribunal Federal se coloca acima da ciência médica para decidir o que é ou não ato médico, não estamos mais falando de Justiça. Estamos falando de usurpação de competência.
Juízes não diagnosticam. Tribunais não tratam pacientes. Canetas não substituem anos de estudo, residência, especialização e responsabilidade civil e moral.
A pergunta que fica é amarga, mas inevitável: para que médicos, se tudo pode ser decidido por despacho? Para que conselhos profissionais, se o saber técnico não tem mais valor? Para que ética médica, se a ciência passou a ser opcional?
A Medicina está sendo reduzida a um mero instrumento burocrático. O médico, transformado em executor mudo de decisões alheias. E o paciente, este sim, torna-se a maior vítima exposto a riscos travestidos de progresso e a arbitrariedades disfarçadas de humanismo.
Não se trata de direita ou esquerda. Não se trata de conservadorismo ou progressismo. Trata-se de limite. Quando a Medicina perde sua autonomia técnica, toda a sociedade adoece.
Se for assim, fechem-se os conselhos. Tranque-se as faculdades. Entreguem-se as chaves.
E que o último a sair por ironia final apague a luz. Porque onde a ciência é silenciada, não há cura. Há apenas poder.”
O desabafo apócrifo circula pelas redes sociais, não por acaso, sem autor: o medo, a desconfiança, a certeza de represálias por opiniões, o assédio moral, a covardia e outras práticas inimagináveis em uma democracia, cala médicos, advogados, jornalistas e cidadãos de bem. Estamos em 2026, e nem nos períodos mais assombrosos da história do Brasil, se viu tanta perseguição.
A História haverá de ser fiel aos fatos. O Brasil vive sob a hedge do arbítrio, e este por sua vez, goza do apoio da imprensa, das forças armadas, de parcela expressiva da Polícia Federal, e de instituições que jamais poderiam se calar, como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa, Congresso Nacional e outras que em épocas de exceções, como a atual, saíram em defesa da democracia.
A semiótica, os arranjos textuais, as montagens e semânticas, se juntaram ao cinismo para tomar o lugar da decência, justificando a omissão e a tirania que se instalou na justiça, no executivo, sob os ouvidos moucos do legislativo. A ordem é relativizar a barbárie a incentivar a tirania e a crueldade.
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor
www.minasconexao.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp: 31-99953-7945
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Nesta madrugada recebi este texto que retrata a realidade cruel de nosso Brasil, gerando uma sensação de desamparo e medo do que virá em sequência.Me faz perder o sono e não avistar no horizonte quase nenhuma nesta de esperança!
Li, refleti e vou agradecer a um amigo que mora em Santo Amaro da Purificação e comunga comigo da tristeza em ver o direito suprimido, deturpado deixando , em quem tem bom senso este sentimento de impotência!
Até quando????