MINAS CONEXÃO | O poder a venda no endereço dos três prostíbulos mais caros do Brasil

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O poder a venda no endereço dos três prostíbulos mais caros do Brasil

Daniel Vorcaro e o escândalo envolvendo o Banco Master não podem ser tratados como episódios isolados, crise circunstancial e nem soterrados pelo silêncio conveniente como foi a Lavajato

Foto: Criada por IA

A Praça dos Três Poderes transformou-se no ponto de prostituição política e judicial mais caro do Brasil. A diferença é que, nesse mercado de luxo, os michês de toga e de terno custam milhões, e a mercadoria negociada é o futuro de uma nação inteira, que derrapa pela ladeira da imoralidade, acostumando-se com a normalização da corrupção.

Os profissionais das ruas, conhecidos como michês, ao menos acertam previamente o preço do serviço e não se apresentam como guardiões da moralidade pública e nem da democracia. Já na Capital Federal, ocorre o contrário: autoridades discursam sobre ética, enchem os pulmões para falar de democracia e Constituição, enquanto relações obscuras, contratos milionários e interesses privados circulam livremente pelos gabinetes do poder.

Não há liturgia quando o poder se mistura com dinheiro sem transparência. Não há independência institucional quando decisões, contratos e relações pessoais circulam pelos mesmos corredores. Não há projeto de país quando a República se converte em uma vitrine iluminada, na qual homens supostamente inalcançáveis aguardam, com o rabinho abanando, a buzina do patrocinador da vez.

Daniel Vorcaro e o escândalo envolvendo o Banco Master não podem ser tratados como episódios isolados, crise passageira e nem soterrados pelo silêncio conveniente como foi a Lavajato. As relações atribuídas ao banqueiro com integrantes e pessoas próximas aos centros de poder precisam ser investigadas com rigor, transparência e publicidade, inclusive internacional, já que por aqui, o assunto caiu na vala comum do dia a dia midiático.

Quem ocupa cargo público, veste toga ou exerce influência institucional não pode exigir confiança cega da sociedade. E a sociedade precisa deixar o futebol, as novelas, o noticiário catastrófico do cotidiano, que, propositadamente aterroriza e entorpece, para exercer cidadania. Perdemos a capacidade de nos indignar, e esta talvez seja a causa dos menores e dos grandes bandidos se preocuparem tão pouco com a opinião pública. Eles se tornam cada dia mais atrevidos.

O Brasil precisa saber quem recebeu, quanto recebeu, por que recebeu e quais serviços foram efetivamente prestados. Precisa conhecer a origem do dinheiro, os contratos celebrados, os beneficiários e os eventuais conflitos de interesse. De fato fazer valer o jargão em “bocas de veludo cínicas e hipócritas”, de que ninguém está acima da Lei.

Qualquer tentativa de impedir essa apuração servirá apenas para ampliar a confirmação de que o sistema trabalha para proteger seus próprios integrantes. O que na não é mais segredo até para os idiotas que se contentam com pão e circo. Vorcaro pode ter sido apenas o cliente que estacionou diante da calçada mais poderosa do país o seu carrão. A questão decisiva é descobrir quantas portas ele abriu, quem correu para atendê-lo e o que teria sido colocado à venda.

Foto: Criada por IA

A Praça dos Três Poderes deveria representar o equilíbrio republicano, mas virou um prostibulo e transmite ao cidadão a imagem de um balcão de negócios protegido sem necessidade de prestação de contas. Quando os supostos guardiões passam a ser alvo das suspeitas, já não basta invocar a Constituição e o falacioso mantra de proteção da democracia: é preciso abrir contratos, quebrar o silêncio e permitir a investigação a fundo da malandragem que tomou conta das instituições.

Nenhuma toga pode funcionar como esconderijo. Nenhum mandato pode servir de escudo. Nenhum sobrenome pode valer mais do que a lei. Pelo menos é isso que dizem. Com efeito, a Praça dos Três Poderes continua e continuará sendo vista como aquilo em que parece ter se transformado: o bordel mais caro da República, onde poucos cafetões negociam privilégios e milhões de prostitutas pagam a conta, sem direito a escolhas ou reclamações.

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Ex-presidente da ABIH-MG e da Abrajet-MG.  www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br

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