Em entrevista à AJoia Brasil, Paulo Solmucci critica soluções apresentadas sem debate aprofundado e adverte para possíveis impactos da redução da jornada sobre empregos, salários e empresas

Promessas políticas costumam ser apresentadas como escadas rolantes que conduzem apenas para cima, sem esforço e sem qualquer custo. Na prática, porém, toda decisão econômica produz consequências. Foi com essa metáfora que o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, ironizou os discursos em torno do fim da escala 6×1 e da redução da jornada semanal de trabalho.
“Só vai ter descida”, alfinetou Solmucci ao comentar propostas vendidas ao eleitorado como avanços automáticos, mas que, segundo ele, podem esconder custos elevados para trabalhadores, consumidores e empresas. A declaração foi feita durante entrevista concedida à AJoia Brasil – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados – no Palácio Fiorentino, em São Paulo.
Participaram da conversa os jornalistas Dan Berg e Augusto Nunes, com imagens e áudio de José Carlos Bernardi, todos integrantes da AJoia Brasil. O debate teve como tema central a proposta de extinguir a escala 6×1 – modelo no qual o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias e folga um – e reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas.
As duas medidas ganharam espaço no debate político nacional, mas ainda levantam dúvidas sobre seus efeitos concretos. Para os setores de bares, restaurantes, comércio e serviços, que dependem de funcionamento contínuo e empregam milhões de brasileiros, mudanças realizadas sem planejamento poderão aumentar custos, dificultar contratações e comprometer a sobrevivência de pequenos negócios.
A crítica do presidente da Abrasel não é dirigida à busca por melhores condições de trabalho, mas à tentativa de transformar um assunto complexo em slogan eleitoral. Reduzir a jornada por força de lei, sem considerar produtividade, carga tributária, qualificação profissional e a capacidade financeira das empresas, pode produzir resultados opostos aos anunciados.
O alerta é claro: não basta prometer mais folgas e menos horas de trabalho sem explicar quem pagará a conta. Se não houver responsabilidade, diálogo e avaliação dos impactos econômicos, uma proposta apresentada como conquista poderá resultar em aumento de preços, redução de salários, informalidade, fechamento de empresas e eliminação de postos de trabalho.
Em um país marcado pelo desemprego, pela insegurança jurídica e pelo alto custo de manter uma empresa, decisões dessa magnitude não podem ser tomadas ao sabor das campanhas eleitorais. Antes de vender facilidades, a classe política precisa apresentar números, ouvir os setores produtivos e dizer com transparência quais serão as consequências.
Assista à entrevista na íntegra:
José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor – Presidente da Ajoia Brasil – Ex-presidente da ABIH-MG e da Abrajet-MG. www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br
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