MINAS CONEXÃO | Panis et circenses - Por: Neimar Fernandes

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Panis et circenses – Por: Neimar Fernandes

O regime bicameral brasileiro vai consumir em 2025 cerca de 100 bilhões de Reais em despesas administrativas e nas famigeradas e imorais emendas parlamentares – O mais caro do planeta

Foto: Reprodução – A solução

Por: Neimar Fernandes é Jornalista, articulista e um dos fundadores da AJOIA Brasil

“Ninguém duvida: Vivemos uma crise sem precedentes na história do país. Ensaiam arremedos de reformas, trocando seis por meia dúzia. A equipe econômica ignora solenemente aprovar medidas duras e impor cortes radicais de despesas, ao contrário, distribui “benefícios” sem previsão de receita, aumenta e cria, por decretos, novos impostos e tarifas. Mesmo diante de tanta lambança, penso que o sacrifício deve ser de todos.

Pois bem: QUEM APROVA TODAS ESTAS MEDIDAS É O CONGRESSO NACIONAL.

São 513 deputados Federais e 81 senadores. O regime bicameral brasileiro vai consumir em 2025 cerca de 100 bilhões de Reais em despesas administrativas e nas famigeradas e imorais emendas parlamentares. Pasmem o segundo orçamento mais caro do planeta. O nosso legislativo custa 8 vezes mais do que o dos Estados Unidos da América, país mais rico do mundo. Como é possível gastar tanto dinheiro?

Fala sério, dá para acreditar em alguma chance de serem aprovadas medidas que, realmente, cortem na carne de todos? É preciso uma renovação responsável de todo o congresso. A chance está chegando. Em 2026 poderemos renovar 2/3 do Senado e toda a Câmara Federal.

Poucos observam que nosso período eleitoral para presidente, governadores e legislativos federal e estaduais SEMPRE “coincidem” com a COPA DO MUNDO DE FUTEBOL.

Pense nisto:

Vespasiano, o imperador, em 22 de junho de 79 d.C., pouco antes de morrer, em carta ao filho Tito aconselhava-o a concluir a construção do Coliseum (Coliseu), que lhe daria “muitas alegrias e infinita memória”. Pois, entre um banheiro, um banco de escola ou um estádio, o povo preferia sentar-se nas arquibancadas deste. O conselho fundamentava-se na ideia de que seduzir a plebe com pão e circo era a melhor receita para diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Tito acabou inaugurando o famoso anfiteatro, no centro de Roma, com cem dias de festa. Descortinava-se ali a era do Panis et circenses, que consistia em proporcionar, naquela arena, espetáculos sangrentos entre gladiadores e distribuição gratuita de pão. Implicava alto custo para os cofres do Império, com elevação de impostos e economia destroçada, mas a prática populista emprestava enorme prestígio aos imperadores romanos.

É sabido que os jogos, ao longo da História, funcionaram como verniz para lustrar a imagem de governantes. Hoje a estratégia para cooptar a simpatia das populações por meio das artes/artimanhas e do entretenimento continua a receber atenção de administradores públicos de todos os quadrantes. Não por acaso, até os EUA, investiram bilhões de dólares para abrigar a copa do mundo de futebol que deverá colorir o portfólio de feitos do governo Trump.

Ao escopo semântico – em que se agrupam as agruras sociais – adiciona-se uma estética de diferenciação, caracterizada pelas cores (verde, vermelho e preto, preto e branco, azul, amarelo canarinho), pelos símbolos (gavião, porco, urubu, galo, raposa, coelho, timbu, baleia, leão), pela vestimenta com os dizeres da moda, pelo estilo de andar, de pensar, de perambular em bandos.

E fechando o circuito, a espetacularização midiática, por meio da qual os torcedores poderão ver nas telas da TV seus gestos, feições alegres ou crispadas de ódio e ouvir gritos de guerra. Mesmo com a barbárie de torcedores tombando vítimas dessa ignomínia.

Condenar as turbas com designativos de vândalos, bandidos, selvagens, adensar forças policiais em estádios, continuar a usar meios tradicionais, como punição a clubes, não conseguirão eliminar a violência das torcidas organizadas. Mais cedo ou mais tarde, os atos voltarão. O disciplinamento e a ordem hão de levar em conta a elevação de padrões comportamentais, ancorada no esforço de educação (reeducação) de torcedores fanáticos. Não se trata de promover meras ações de marketing cultural – eventos festivos e associativos para alinhamento dos torcedores ao espírito do clube, mas um amplo programa com o objetivo de compor um ideário voltado para engrandecer o espírito da democracia, com respeito aos princípios da ordem e da disciplina, que não devem ser incompatíveis com o entusiasmo das torcidas. Difícil? Sim, ainda mais quando musculosos e truculentos lutadores, de ambos os sexos, travestidos de atletas sujam de sangue os pisos das arenas de MMA. Impossível? Não, vide a ordem e paz em que milhões de cidadãos ocuparam as ruas e avenidas de nossa nação buscando novos rumos. Atitude e determinação, duo imbatível.

Infelizmente em breve, estaremos vivenciando novamente o estímulo ao ódio, o nós contra eles, as repetidas e surradas promessas de tirar o Brasil do mapa da fome.

Nem Vespasiano nem Tito imaginariam que, um dia, o dístico Panis et circenses seria acrescido de violentia. Fosse assim, o velho Coliseu não estaria em pé.”

www.minasconexao.com.brjaribeirobh@gmail.com – Wpp: 31-99953-7945

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