MINAS CONEXÃO | Imprensa brasileira: Dois pesos, duas medidas no debate sobre as tarifas internacionais - EUA x China

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Imprensa brasileira: Dois pesos, duas medidas no debate sobre as tarifas internacionais – EUA x China

Por que decisão comercial dos Estados Unidos ocupa semanas de manchetes, enquanto medidas semelhantes adotadas pela China recebem menos atenção? O critério é o interesse público ou a identidade do país que toma a decisão?

Foto: Criada por Inteligência Artificial

Por: José Aparecido Ribeiro – Jornalista e Presidente da Ajoia Brasil

Nas últimas semanas, as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros dominaram o noticiário nacional. Manchetes, análises, entrevistas e editoriais ocuparam amplo espaço nos veículos de comunicação, destacando os possíveis impactos econômicos e diplomáticos da decisão do governo do presidente Donald Trump. Trata-se, sem dúvida, de um tema de interesse público e que merece cobertura jornalística consistente.

Salta aos olhos, no entanto, o contraste entre essa intensa cobertura dada à tarifas dos EUA e o tratamento dispensado às imposições tarifárias também praticadas pela China sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a carne de frango cuja taxa de importação pode chegar a 34%, e a carne bovina, que dependendo de cotas, ultrapassa 55%, tudo isso sob o silêncio ou a unilateralidade do jornalismo.

O assunto que raramente ocupa espaço equivalente nos grandes meios de comunicação, envolve igualmente interesses econômicos nacionais e afeta setores relevantes da produção brasileira. Quando fatos semelhantes recebem níveis tão diferentes de atenção, é importante perguntar sobre os critérios editoriais utilizados. Isso ainda não é crime no Brasil, como questionar decisões jurídicas em altas cortes.

Até pouco tempo o jornalismo exercia uma de suas funções mais nobres quando informava com equilíbrio, contextualizava os fatos e oferecia à sociedade os elementos necessários para formar seu próprio juízo. Infelizmente não é o que está acontecendo no Brasil atualmente, onde jornalistas subestimam a capacidade do cidadão pensar, e passa a ditar o que é ou não verdade. Os fatos deixaram de ter importância, vale a versão contata pela imprensa.

Quando o distanciamento é abandonado, ainda que de forma seletiva, a informação deixa de iluminar a realidade e passa a projetar apenas uma das partes. O papel da imprensa não é proteger governos, tampouco blindar parceiros comerciais. Também não lhe cabe selecionar quais países devem ser alvo de escrutínio e quais merecem silêncio.

O dever do jornalismo é aplicar o mesmo rigor a todos os protagonistas da cena internacional, independentemente de afinidades ideológicas, interesses econômicos ou preferências políticas. Quando as medidas partem de Washington, multiplicam-se as críticas ao presidente Donald Trump e às consequências de sua política comercial. Quando envolvem Pequim, o debate parece perder intensidade, quando não, fecha-se os olhos, os microfones e a câmeras.

Essa diferença de tratamento confirma a percepção de que há dois pesos e duas medidas na cobertura jornalística sobre política internacional, percepção que enfraquece a credibilidade da própria imprensa. Uma sociedade democrática depende de uma imprensa livre, mas também de uma imprensa equilibrada e responsável.

Liberdade de imprensa não pode significar liberdade para selecionar os fatos conforme conveniências editoriais ou ideológicas. O cidadão brasileiro tem o direito de conhecer integralmente o cenário internacional, inclusive as restrições comerciais impostas por todos os seus principais parceiros, sejam eles os Estados Unidos, a China, a União Europeia ou qualquer outra nação.

A credibilidade do jornalismo não nasce da unanimidade de opiniões, mas da coerência na aplicação de seus princípios. Se uma medida tarifária merece investigação, crítica e debate quando parte de um determinado governo, o mesmo critério deve prevalecer quando a iniciativa vem de qualquer outro.  A informação perde sua força quando a régua utilizada para medir os fatos muda conforme o personagem da notícia.

Mais do que defender ou condenar governos, o verdadeiro compromisso da imprensa deve ser com a verdade, a transparência e a isonomia. Somente assim o cidadão comum poderá formar sua opinião a partir de fatos completos, verdadeiros e não de narrativas incompletas para atender a interesses ideológicos e comerciais de veículos de comunicação, via de regra, dependentes de verbas públicas.

José Aparecido Ribeiro é jornalista, editor e presidente da Ajoia Brasil

www.minasconexao.com.br – www.ajoiabrasil.com.br – jaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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