MINAS CONEXÃO | Há exatos 100 anos era inaugurado oficialmente o Automóvel Clube de Minas Gerais - ACMG

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Há exatos 100 anos era inaugurado oficialmente o Automóvel Clube de Minas Gerais – ACMG

O que são 100 anos para a emblemática e inexorável relatividade do tempo? Quase nada, ou tudo!

Fotos: Arthur Bambirra; José Marcos Rodrigues Vieira; Marcos Henrique Caldeira Brant; Ragheb Hamade Filho, Antônio Marcos Nohmi e Ozório Couto

Para uma cidade que acabara de ser inaugurada e que seria a capital de Minas Gerais, 100 anos é tempo bastante, intervalo com histórias, percalços, personagens e fatos que fizeram e continuam forjando a trajetória de uma sociedade em constante mudança, com suas tradições, idiossincrasias e mineiridades. Afinal, nada mais mineiro do que ser de BH e pertencer ao Automóvel Clube de Minas Gerais.

A cidade acabara de completar sua primeira bodas, tinha apenas 28 anos quando 9 destacados membros da sociedade, resolveram construir o Automóvel Clube de Minas Gerais – ACMG, movidos pelo sentimento de pertença e necessidade de ganhar espaço de confraternizações, de elegância e privacidade. A sedenta elite belo-horizontina, ainda em formação da própria identidade, buscava se encontrar e se firmar, no inicio de uma trajetória incerta, rumo ao século XXI. BH era e continua sendo centro catalisador, sede do estado mediterrâneo de Minas Gerais, desde os tempos de efervescência cultural da Semana de Arte Moderna de 1922. Foi neste contexto que nasceu o centenário ACMG.

Foto: Desembargadora Marcia Milanez e o desembargador Marcos Henrique Caldeira Brant – Sócios proprietários do ACMG.

O Brasil vivia a Primeira República (1889–1930), marcada pelo predomínio das oligarquias estaduais. Minas Gerais tinha grande influência nacional, sobretudo na chamada política do “café com leite”. Belo Horizonte ainda jovem (inaugurada em 1897), seguia com o processo de consolidação como capital administrativa moderna, governada, na ocasião, por Artur Bernardes, Presidente (termo equivalente a governador na época da República Velha).

Ele ocupou o cargo em dois mandatos distintos, sendo presidente nos períodos de 7 de setembro de 1918 a 7 de setembro de 1922, e posteriormente, de 25 de maio de 1927 a 24 de outubro de 1930. O prefeito era Flávio Fernandes dos Santos, empossado em 1922, com mandato a ser cumprido até 1926. Era engenheiro de perfil técnico conservador, comum entre administradores da capital no início do século XX.

Foto: Evento de comemoração dos 100 anos do Automóvel Clube de Minas Gerais

Naquela ocasião, os prefeitos não eram eleitos pelo voto direto; eram indicados pelo governadores, dentro da lógica política da Primeira República. A ordem era expandir a cidade, facilitar o crescimento populacional, promover a infraestrutura, criar um sistema viário eficiente, aumentar a iluminação pública, o saneamento e fortalecer os serviços públicos municipais, em uma cidade planejada para ter 300 mil habitantes. (Hoje com mais veículos do que pessoas. A frota é de 2,6 milhões e a população 2,4 milhões; e infraestrutura defasada)

Foto: Isabela Damasceno, Dalva Camilo, Ragheb Hamade Filho,Silvana Hamade, Brenda Torres.

Mas tudo isso exigia um local à altura da alta burguesia que ascendia, onde ela pudesse frequentar e se afirmar como sociedade, com hábitos modernos, inclusive o de comemorar seus ritos e conquistas em ambiente condizente com o momento histórico. E foi pensando nisso que nasceu o Automóvel Clube de Minas Gerais, inaugurado no dia 17 de dezembro de 1925. Era quinta-feira, muito provavelmente, chuvosa como esta quarta-feira, 100 anos depois, com ou sem efeitos climáticos.

Foto: João Carlos Amaral; Ozório Couto, Ragheb Hamade Filho Presidente do Automóvel Clube, e Antônio Claret Guerra

O que acontecia para além das Alterosas em Dezembro de 1925

Nesse dia 17 de dezembro de 1925, além da abertura oficial do Automóvel Clube de Minas Gerais, em São Paulo, era inaugurada a primeira fábrica da General Motors do Brasil. Na mesma data, acontecia no Rio de Janeiro, a fundação do jornal O Globo, por Irineu Marinho, e em São Paulo também, começava a circular o jornal Folha da Tarde. Foi nesta mesma quinta-feira (17/12/1925) que Mário de Andrade publicava “A Escrava” que não é Isaura.

Foto: Equipe de Colaboradores do Automóvel Clube de Minas Gerais com Juliana Hamade, Ragheb Hamade Filho e Marcia Milanez

Passados 100 anos, hoje sob o comando de Ragheb Hamade Filho, em cerimônia reservada a poucos sócios e a imprensa, o Automóvel Clube abriu suas portas com a promessa de renovação, honrando seu compromisso com a população de Belo Horizonte, como local de grandes eventos e de muitas histórias, inclusive as de personagens que mudaram os rumos país, como Juscelino Kubitschek.

Foto: Bruno Rodrigo – OAB-MG e Ragheb Hamade Filho, presidente do ACMG

O diretor de Ações Sociais  da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB-MG, Bruno Rodrigo, oficializou uma parceira que vai permitir intercâmbio do ACMG com a entidade, afim de manter suas tradições e criar eventos que possam aproximar o Clube, dos advogados mineiros, reunindo também as famílias que construíram a capital mineira e que se perderam na selva de pedras que virou BH. Algumas fiéis ao ACMG, desde a sua abertura.

O Desembargador José Marcos Rodrigues Vieira ofereceu ao ACMG uma gravura da fachada do prédio, obra de sua autoria, que, segundo o ilustre sócio proprietário do ACMG, leva 60 minutos para ser ilustrada, após os traçados principais, com uma originalidade que revela talento para as artes da xilografia.

Foto: Marcelo Borges, Marcos Henrique Caldeira Brant, Ragheb Hamade Filho, Astolfo José Cosa Junior,  Faiçal Assarauy e Marcia Milanez

Automóvel Clube passa a fazer parte do Circuito Liberdade

Foi celebrada na data especial do centenário, uma parceria com a Fundação Clóvis Salgado e o Palácio das Artes, que permitirá a participação do Automóvel Clube no Circuito Liberdade. O acordo assinado entre o presidente do ACMG, Ragheb Hamade Filho, e o presidente da Fundação Clóvis Salgado, o jornalista Sérgio Rodrigo Reis, é alvissareiro e promete abrir as portas do tradicional ACMG para o público que circula pela Av. Afonso Pena, mas não conhece por dentro a centenária Casa.

Foto: Sergio Rodrigo Reis e Ragheb Hamade Filho.

A cerimonia serviu também para anunciar a instituição da Medalha do Centenário, criada dentro de padrões rígidos de concessão, bem como de confecção da própria medalha. O responsável por esse projeto, foi o sócio proprietário e presidente da Comissão do Centenário do Automóvel Clube, Dr. Marcos Henrique Caldeira Brant, que é Desembargador do TJMG. Serão apenas 100 medalhas outorgadas a pessoas ilustres que contribuíram e continuam a contribuir com a perenidade e sucesso do ACMG. (Veja critérios para concessão e escolha de possíveis candidatos, abaixo).

Foto: Marcelo Souza e Silva; Ragheb Hamade Filho e Eduardo Nelson de Sena

O Automóvel Clube de Minas Gerais – ACMG é uma das instituições sociais e culturais mais tradicionais de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Sua sede histórica fica no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Álvares Cabral, no centro de Belo Horizonte. O edifício foi projetado pelo arquiteto Luís Signorelli, e o prédio é tombado pelo patrimônio histórico e artístico estadual desde 1988, destacando seu valor arquitetônico e cultural.

Foto: Os Irmãos – Mário Lúcio Caldeira Brant e Marcos Henrique Caldeira Brant

Recentemente a Câmara Municipal de Belo Horizonte e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizaram reuniões especiais e sessões solenes para lembrar e destacar os 100 anos do ACMG. Ao longo do ano foram promovidos bailes, festas temáticas (como festa junina e baile do Dia dos Namorados) e até uma vesperata inspirada em festivais culturais tradicionais.

Foto: Márcia Milanez e Faiçal Assarauy

Dentro das comemorações do centenário, na noite do último dia 14/12, aconteceu o Baile de Gala do Centenário, um dos principais eventos, marcado por grande presença da elite social, jantar sofisticado, música ao vivo e ambiente black tie — em celebração à história e tradição da instituição.

Foto: Camilla Schreiber Gontijo e Arthur Bambirra

O Automóvel Clube é reconhecido não apenas como um espaço social, mas como um símbolo da história da vida cultural e social de Belo Horizonte e de Minas Gerais, sendo ponto de encontro clássico para festas, casamentos, bailes e encontros da sociedade ao longo de décadas. Ao longo de 100 anos, a instituição contribuiu para a construção da identidade cultural da cidade e vem sendo mantida ativa como espaço de convivência, cultura e memória social.

Foto: Advogada Amina Guerra; Osório Couto e a Advogada Raquel Fernandes

Critérios para a concessão da Medalha Comemorativa dos 100 anos do ACMG

“A medalha comemorativa, como expressão artística e cultural, será ofertada a pessoas físicas e jurídicas, sócios ou não do clube, como recordação perene para positivar e perpetuar a importante Efeméride para a vida social e cultural da Capital e do Estado.

Foto: Tarcísio Costa; Dalva Camilo e Maria Elvira Sales Ferreira

A oferta da medalha comemorativa dar-se-á a critério da Diretoria. A medalha comemorativa será entregue preferencialmente no decorrer do ano celebrativo de 2025 e posteriores, pelo Presidente ou Presidente do Conselho Deliberativo e por representante por eles designado, em cerimônia solene ou não, nas dependências do clube ou em outro local público ou privado que se fizer necessário.

Foto: Arthur Bambirra e José Aparecido Ribeiro

Toda oferta da medalha comemorativa será devidamente registrada em livro próprio que integrará os anais do clube. O clube responsabilizar-se-á pela produção das medalhas, podendo buscar parcerias para aporte financeiro cultural. Inicialmente serão produzidas 100(cem) unidades da medalha comemorativa, as quais terão características permanentes, conforme especificações e diagrama constantes do Anexo Único deste ato.

Foto: Marcelo Borges, Eliza Moura Navarro de Novaes, Ragheb Hamade Filho, Bruno Rodrigo

A medalha comemorativa será acondicionada em estojo com modelo, dimensões e acabamento personalizados e será acompanhada de edital, documento hábil que anunciará suas características.” 

Crédito de fotos: Fábio Ortolan.

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor

www.minasconexao.com.brjaribeirobh@gmail.com – Wpp/Pix: 31-99953-7945

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