Resultados inéditos de fase III do estudo lidERA, com 4.134 participantes, mostram o potencial do giredestranto como um novo tratamento endócrino padrão para o câncer de mama ER-positivo e HER2-negativo

Roche anunciou resultados positivos da fase III do estudo lidERA, que avaliou o medicamento em fase de pesquisa, giredestranto, um degradador seletivo do receptor de estrogênio (SERD) oral, como tratamento adjuvante para pacientes com câncer de mama em estágio inicial, ER-positivo e HER2-negativo.
No câncer de mama ER-positivo e HER2-negativo, o tratamento se concentra na via do estrogênio. Nesse contexto, o giredestranto atua como um degradador seletivo do receptor de estrogênio (SERD, na sigla em inglês), desenvolvido para bloquear a ligação do estrogênio ao seu receptor e promover sua degradação.
Ao eliminar esse principal motor de crescimento, o giredestranto tem o potencial de interromper ou retardar a proliferação das células tumorais. Além disso, tem a vantagem de ser totalmente oral, o que costuma ser mais confortável e prático para as pacientes. O medicamento foi bem tolerado e os eventos adversos foram consistentes com seu perfil de segurança conhecido, sem achados de segurança inesperados3.
O lidERA é o primeiro ensaio de fase III de um SERD a demonstrar um benefício significativo neste cenário adjuvante, o qual, há cerca de duas décadas não via a chegada de uma nova terapia endócrina que mudasse de fato o patamar de redução de recorrência invasiva, que cerca de um terço das pacientes com câncer de mama em estágio inicial sofre durante ou após a terapia endócrina adjuvante.
E foi exatamente isso que o estudo alcançou ao atingir seu desfecho primário de sobrevida livre de doença invasiva (IDFS, na sigla em inglês), que, de forma prática, mede quanto tempo a paciente permanece sem sinais de uma volta “invasiva” do câncer, ou seja, sem nenhum sinal de que a doença retornou (recidiva) ou se espalhou (metástase)3.
Os resultados mostraram uma redução de 30% no risco de recorrência invasiva ou morte com o uso do medicamento, em comparação ao tratamento padrão, superando a barreira de eficácia pré-especificada. Além disso, há um dado que conversa diretamente com um dos maiores medos das pacientes: a metástase.
Achados adicionais apresentados no SABCS mostraram que o benefício em DFS invasiva foi consistente entre subgrupos clinicamente relevantes. Em três anos, 92,4% das pacientes no braço com giredestranto estavam vivas e livres de doença invasiva, versus 89,6% no grupo de terapia endócrina. O medicamento da Roche também demonstrou uma redução de 31% no risco de recorrência distante.
Tolerabilidade
Além da eficácia, a tolerabilidade também é muito importante porque, na prática, aderir ao tratamento por muitos anos é difícil. Efeitos colaterais e baixa tolerabilidade fazem com que parte das pacientes interrompa a terapia antes do tempo ideal. Em coortes de vida real, a descontinuação autorreferida (quando a própria paciente relata ter parado) pode chegar a 30–35% em quatro anos. O impacto disso é direto: análises de mundo real indicam que parar o tratamento precocemente se associa a maior risco de recorrência e de morte, sobretudo em doença de maior estágio7.
No lidERA, o giredestranto pareceu mais bem tolerado do que as terapias hormonais padrão escolhidas pelo médico. Mesmo com mais pausas temporárias, menos pacientes precisaram suspender definitivamente a terapia por efeitos adversos. Houve a redução de interrupção por dor e sintomas musculoesqueléticos (de articulações e músculos), que são queixas comuns e frequentemente decisivas para a adesão.
Menos pacientes interromperam o tratamento por esse motivo com o uso de giredestranto (1,8%) do que com o padrão (4,4%). Em especial, a dor articular levou à suspensão em 1,6% no giredestranto versus 3,7% no padrão. Isso sugere uma maior chance de sustentar a terapia por mais tempo, algo crítico no cenário adjuvante”.
“Os resultados de hoje reforçam o potencial do giredestranto como uma nova terapia endócrina de escolha para pessoas com câncer de mama em estágio inicial, onde há chance de cura,” diz Maira Santanna ,Gerente de Estratégia Médica de Pipeline de Câncer de Mama da Roche Farma Brasil. “Dado que o câncer de mama ER-positivo representa aproximadamente 70% dos casos diagnosticados, estes achados sugerem que o medicamento tem o potencial de melhorar os resultados para muitas pessoas com esta doença”’.
Este é um marco na história do câncer de mama: ao reduzir a recorrência invasiva no cenário adjuvante, o giredestranto abre a possibilidade de que mais pacientes permaneçam livres da doença por mais tempo e que menos mulheres precisem voltar para tratar aquilo que deveria ter ficado para trás.
O programa clínico do giredestranto é abrangente e se estende por diferentes cenários e linhas de tratamento, incluindo cinco estudos patrocinados pela Roche na Fase III. O estudo lidERA é o segundo resultado positivo de Fase III para o giredestranto, seguindo o evERA, apresentado no Congresso ESMO 2025.

A reportagem é do articulista do Portal Minas Conexão Fernando de Almeida – Filiado à Abrajet-MG e a AJOIA Brasil.
J.A. Ribeiro é jornalista e editor
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